O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta quarta-feira (6) para Washington, nos Estados Unidos, tentando calibrar as expectativas para o encontro com Donald Trump, na Casa Branca, previsto para quinta-feira (7).
A agenda é tratada como um marco importante na relação bilateral após a crise iniciada com a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros em julho de 2025. Ainda assim, o governo Lula evita dar à conversa no Salão Oval um clima de “final de campeonato”, em que o único resultado possível seria a existência de um vencedor e um derrotado.
Para a diplomacia brasileira, o encontro representa mais uma etapa do diálogo iniciado em setembro de 2025, quando, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Trump afirmou ter tido uma “ótima química” com Lula após uma rápida conversa.
Em outubro do ano passado, os dois conversaram por telefone e, no mesmo mês, se encontraram pessoalmente à margem da 47ª Cúpula da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Kuala Lumpur, na Malásia. Em dezembro, em outro telefonema, os presidentes trataram do combate ao crime organizado e combinaram uma ida de Lula aos Estados Unidos.
O presidente brasileiro chegou a afirmar que a visita aos EUA ocorreria em março. Porém, de acordo com integrantes do governo Lula, a guerra no Irã, que eclodiu no fim de fevereiro, dificultou a conciliação das agendas.
No cardápio dos temas a serem tratados estão o “tarifaço” sobre produtos brasileiros, as investigações americanas sobre o PIX, minerais críticos, desmatamento e uma parceria no combate ao crime organizado.
Embora o encontro ocorra cinco meses após o telefonema de dezembro, o governo brasileiro afirma que o diálogo sobre esses temas jamais foi interrompido e continuou sendo tratado em nível ministerial e técnico antes de chegar à discussão entre os dois chefes de Estado.
À espera da reunião na Casa Branca, Lula criticou Trump diversas vezes, condenando guerras, a aplicação de tarifas e o unilateralismo. A postura de defesa da soberania adotada pelo presidente brasileiro ajudou Lula a recuperar popularidade em meio ao tarifaço no ano passado. Para aliados, o enfrentamento com o presidente dos Estados Unidos é uma fórmula que pode ajudar Lula na busca pela reeleição.
Apesar disso, a diplomacia quer esfriar o tom de confronto. Auxiliares dizem que Lula está preparado para Trump, embora parte do governo avalie que o comportamento do americano no Salão Oval seja uma incógnita. O histórico de Trump inclui episódios de constrangimento ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e trocas de ofensas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Integrantes do governo também minimizam a tensão após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos), em Orlando, na Flórida. Na ocasião, a PF (Polícia Federal) afirmou que a detenção foi fruto da parceria entre os dois países. Condenado a 16 anos pela trama golpista, Ramagem, que tem um pedido de asilo político, foi solto dois dias depois.
Como consequência, o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho, que atuava nos Estados Unidos, foi obrigado a deixar o país. Em reciprocidade, o Brasil também determinou a saída do agente americano Michael William Myers, que atuava junto à PF no Brasil.

