O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (6), endossado pelo cenário externo mais positivo, em meio a sinalizações benignas sobre negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Investidores da bolsa paulista também repercutiram uma bateria de resultados corporativos, com C&A como destaque na ponta positiva, enquanto TIM capitaneou as perdas, em um dia que ainda reserva outra série de balanços, incluindo Bradesco.
O Ibovespa fechou em alta de 0,50%, a 187.690,86 pontos.
Já o dólar à vista encerrou o dia com avanço de 0,17%, cotado a R$ 4,9207 na venda. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,35% ante o real.
A bolsa paulista acompanhou o movimento positivo visto em outros mercados acionários, com investidores esperançosos de um desfecho na guerra no Irã.
De acordo com o especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, a sessão foi marcada por um ambiente de maior apetite por risco, sustentado pela redução das tensões entre EUA e Irã.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a jornalistas nesta quarta-feira que o país teve conversas muito boas com o Irã nas últimas 24 horas, acrescentando que é muito possível que Washington e Teerã façam um acordo.
Mas os mercados já vinham num tom mais positivo desde cedo, com notícias de que Washington e Teerã estavam se aproximando de um acordo sobre um memorando de entendimento buscando o fim da guerra.
De acordo com a agência de notícias ISNA, o Irã está analisando uma proposta dos EUA para acabar com a guerra de mais de dois meses e transmitirá suas opiniões ao mediador, Paquistão.
“Há uma sensação crescente de que a chance de reabertura do Estreito de Ormuz é maior, independentemente de conseguirmos ou não um acordo de paz duradouro com o Irã”, disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group.
Câmbio
Após abrir a sessão em baixa, acompanhando o viés negativo no exterior, o dólar passou a exibir ganhos ante o real nesta quarta-feira, após o Banco Central ter vendido em leilão 10 mil contratos de swap cambial reverso, no valor de US$ 500 milhões.
No exterior, a moeda norte-americana recua ante quase todas as demais divisas em meio a notícias de que Estados Unidos e Irã podem estar próximos de um acordo para encerrar a guerra.
A operação com swaps reversos, realizada pelo BC às 9h20, tem o efeito equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Na prática, isso representa um impulso de alta para o dólar no mercado futuro – que, por ser o mais líquido, tende a puxar as cotações também no mercado à vista.
Ao contrário do que fez em outras ocasiões, o BC não promoveu nesta quarta-feira, juntamente com o leilão de swap reverso, um leilão de venda à vista de dólares – operações simultâneas conhecidas no mercado como “casadão”.
Ao atuar apenas por meio do swap reverso, o BC facilita que investidores atualmente comprados no mercado futuro – ou seja, posicionados para a alta das cotações do dólar – reduzam essas posições.
Para o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, a atuação do BC com swap reverso permite a redução de posições compradas em dólar no mercado futuro em um momento em que o cenário externo aponta para uma moeda norte-americana mais fraca. Em outros momentos, quando a pressão para as cotações era de alta, o BC promoveu vendas de swaps tradicionais – operações equivalentes à venda de dólares no mercado futuro.
“O BC atua pontualmente para ajudar na liquidez, faz isso para os dois lados”, comentou Bergallo. “Me parece que segue uma posição autônoma em relação a não buscar definir qual a cotação de equilibro, já que ela não existe. A atuação é apenas para corrigir movimentos muito agudos”, acrescentou.
O noticiário sobre a guerra justificou os movimentos agudos. Após o início do conflito, no fim de fevereiro, o dólar saiu da faixa dos R$ 5,13 para um pico de R$ 5,31 em 13 de março, no auge das preocupações do mercado, para depois se reaproximar dos R$ 4,90 na sessão desta quarta-feira, em meio à expectativa de um acordo de paz. No ano, a divisa norte-americana acumula baixa próxima de 10% apesar da guerra.
Desde 8 de novembro de 2016 o BC não realizava uma operação semelhante à desta quarta-feira – ou seja, de venda de swap cambial reverso, sem negociação simultânea de dólar à vista.
A operação desta quarta-feira também tem um efeito na própria posição carregada pelo BC nos últimos anos, vendida em swap cambial tradicional. Ao fazer o leilão de swap reverso, o BC reduz essa posição.
“A intervenção via hedge já vem ocorrendo em certa medida. Tanto a não rolagem de swaps (tradicionais) quanto a utilização de swaps reversos têm a mesma finalidade, ou seja, reduzir a posição bruta”, comentou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset.
Segundo Lima, a manutenção pelo BC de um estoque elevado de swaps, que exige rolagens frequentes, pressiona para cima o cupom cambial – a diferença entre a taxa de juros em reais e a taxa em dólares, muito usada para precificar operações de hedge (proteção) no mercado de câmbio.
A diminuição de posições compradas em dólar no mercado futuro pode fazer sentido para muitos investidores em função da melhora do cenário geopolítico no Oriente Médio. Em sessões mais recentes, o dólar tem perdido valor ante outras divisas, incluindo o real, em meio à expectativa de que haja um acordo entre Irã e EUA para encerrar a guerra.

