O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu da embaixada brasileira em Washington nesta quinta-feira (7), por volta das 10h30 (horário local), 11h30 em Brasília, e se desloca para a Casa Branca, onde se reunirá com o presidente americano, Donald Trump.
O encontro será o segundo entre os líderes desde outubro do ano passado e deve focar em economia, segurança pública e geopolítica.
A reunião ocorre em meio a tensões recentes entre os dois países, envolvendo tarifas comerciais, investigações americanas sobre o Pix e discussões sobre minerais críticos e terras raras.
Ainda assim, interlocutores do governo brasileiro avaliam que o encontro deve ocorrer sem grandes atritos, diante do histórico recente de contatos cordiais entre Lula e Trump.
A ida do petista é classificada como “visita de trabalho”, modalidade mais objetiva e discreta do que uma visita de Estado.
Diferentemente de cerimônias oficiais com jantar de gala e honras militares, o encontro será concentrado em negociações bilaterais e conversas reservadas no Salão Oval.
Entre os principais temas da pauta estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, como aço, alumínio, cobre e móveis.
Outro assunto que deve ser discutido é a cooperação internacional no combate ao crime organizado. Integrantes do governo Lula pretendem reduzir ruídos diplomáticos envolvendo a possibilidade de facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, serem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Os minerais críticos e estratégicos também ganharam espaço nas negociações. O tema se tornou prioridade após a Câmara dos Deputados aprovar, nesta quarta-feira (6), o projeto que cria a PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos).
O texto estabelece instrumentos para estimular beneficiamento, industrialização e agregação de valor no Brasil, além de criar mecanismos de acompanhamento estatal sobre operações consideradas sensíveis no setor mineral.
O debate ocorre em um momento de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras de terras raras, consideradas essenciais para tecnologias de ponta e transição energética.
Recentemente, a mineradora americana USA Rare Earth anunciou a compra da brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões.
Além de Lula, participam da comitiva brasileira os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César (Justiça e Segurança Pública), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues.
Nos bastidores, diplomatas brasileiros afirmam que a reunião representa mais uma etapa do diálogo iniciado entre os dois governos em 2025, após encontros e telefonemas realizados ao longo do último ano em fóruns internacionais e conversas bilaterais.

