Após cerca de seis horas de atraso e protestos de familiares, a transferência de policiais militares presos foi concluída no início da tarde desta terça-feira (12). Eles foram levados do Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas na zona norte de Manaus para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), na rodovia BR-174, na Zona Rural da capital.
A movimentação marcou a etapa final da Operação Sentinela Maior, iniciada nas primeiras horas da manhã. A ação ocorre após a fuga de 23 policiais militares registrada em fevereiro deste ano.
Ao todo, mais de 70 policiais militares foram distribuídos em três ônibus usados na operação de transferência. Com a retirada dos custodiados, a desativação da antiga unidade deve ser concluída.
Imagens feitas pela imprensa 1 mostram o momento em que o primeiro ônibus deixa o local, além da atuação de equipes do Batalhão de Choque, Rocam e Força Tática na escolta dos presos.
A operação é coordenada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), em parceria com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), e mobiliza mais de 100 agentes das forças de segurança.
Durante a ação, familiares realizaram protesto em frente à unidade e também na saída dos ônibus com os agentes. O grupo tentou impedir a saída dos detentos e houve confronto verbal com equipes de segurança, incluindo o Batalhão de Choque e o Comando de Policiamento Especializado (CPE).
Núcleo prisional
Até então, os presos ficavam no Núcleo Prisional da PMAM, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte da capital. Diferente da nova unidade, o núcleo funcionava como uma estrutura interna da própria corporação, em um prédio independente, usada de forma provisória para custodiar policiais militares presos. O espaço era destinado apenas a praças da PM, como soldados, cabos, sargentos e subtenentes.
Questionada sobre a existência de oficiais presos na corporação, quantos seriam e se eles também serão transferidos para a nova UPPM/AM, na BR-174, a Polícia Militar não ofereceu resposta até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.
Nova unidade na BR-174
A nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM) passa a funcionar no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), que mais recentemente operava como Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174.
De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), a estrutura foi criada para substituir o antigo núcleo e funcionar como unidade prisional formal da PM, com regras próprias, maior controle administrativo e reforço na segurança.
Na ocasião, durante uma vistoria de rotina, a Polícia Militar identificou a ausência dos detentos. Segundo a corporação, pelo menos 18 deles retornaram espontaneamente ainda na mesma noite. No dia seguinte, a PMAM informou que não havia mais foragidos e que a situação havia sido regularizada.
Fuga de 23 policiais motivou mudanças
A desativação do núcleo ocorre meses após a fuga de 23 policiais militares registrada em 27 de fevereiro. Durante uma vistoria de rotina, a Polícia Militar identificou a ausência dos detentos.
Segundo a corporação, pelo menos 18 retornaram espontaneamente ainda na mesma noite. No dia seguinte, a PMAM informou que a situação havia sido regularizada.
O caso levou à abertura de investigações pelo Ministério Público. Dois policiais militares foram presos durante a Operação Sentinela, suspeitos de facilitar a saída dos detentos.
O então responsável pelo Núcleo Prisional da PMAM, major Galeno Edmilson de Souza Jales, também foi preso durante as investigações. Dias depois, o governador Wilson Lima assinou o decreto que excluiu o oficial da Polícia Militar.
Segundo o governo, a decisão teve como base entendimento das Câmaras Reunidas do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Após a fuga, a Polícia Militar informou que os agentes responsáveis pela guarda da unidade foram presos em flagrante e afastados das funções. A Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) abriu procedimento para investigar o caso.

