O setor de serviços registrou queda de 1,2% em março deste ano 2026, após ter apresentado estabilidade em fevereiro de 2026, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicados nesta sexta-feira (15).
Em relação a março de 2025, o volume de serviços cresceu 3%, seu 24º resultado positivo consecutivo. O acumulado de janeiro a março deste ano foi de 2,3%, frente ao mesmo período do ano passado.
Os resultados ficaram bastante abaixo da expectativa dos mercados. Uma pesquisa da Reuters apontava para queda de 0,1% no mês e avanço de 4,5% no ano.
O recuo entre fevereiro e março também foi o mais forte desde novembro de 2024 (-1,4%), e também representa o pior desempenho para o mês em cinco anos.
“Os dados mais recentes sugerem uma acomodação da atividade em patamares mais baixos, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva, mas também uma moderação do forte crescimento observado no setor de serviços nos últimos cinco anos”, avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research.
A taxa de juros ainda elevada segue como um peso, com a Selic atualmente em 14,5% ao ano.
O mês de março foi marcado ainda pelo início da guerra no Oriente Médio, que vem elevando os preços do petróleo e já mostrou impactos na inflação nacional.
No mês, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou a taxa mais alta em cerca de um ano, de 0,88%, sob pressão de transportes e alimentos.
“Por ser a primeira leitura após o início do conflito no Irã, é cedo para se tirar conclusões, mas o recuo (dos serviços) parece ser efeito de realocação de consumo, dado o aumento nos preços dos combustíveis”, disse André Valério, economista sênior do Inter.
Ainda segundo o IBGE, o volume acumulado do nos últimos doze meses foi a 2,8%, mantendo o ritmo de expansão em fevereiro, que estava em 2,7%).
Houve queda em março em todas as cinco atividades de serviços investigadas. O destaque negativo foi o setor de transportes, que registraram queda de 1,7%, eliminando o resultado positivo acumulado nos dois primeiros meses do ano, de 0,8%.
“O recuo no setor foi influenciado principalmente pela queda observada no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros”, explicou o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior.
“Houve uma mudança de calendário da agricultura por climas extremos. Ao atrasar a colheita, você afeta a logística e o transporte de cargas”, completou. “Há sinais de que as chuvas no Norte e Nordeste acima da média afetaram a colheita e até o começo do plantio.”
O volume de transporte de passageiros recuou 3,4% em março, segunda taxa negativa seguida, segundo o IBGE, enquanto o volume do transporte de cargas diminuiu 1%.
As demais quedas observadas no mês vieram dos serviços profissionais, administrativos e complementares, com recuo de 1,1%, de informação e comunicação, com queda de 0,9%.
O grupo de Outros serviços registrou perda de 2% e os serviços prestados às famílias teve queda de 1,5%.
No índice acumulado de janeiro a março de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior, o setor de serviços apresentou expansão, com todas as cinco atividades de divulgação apontando taxas positivas e crescimento em 48,2% dos 166 tipos de serviços investigados.
Segundo o IBGE, entre os setores, o destaque positivo mais relevante ficou com o ramo de informação e comunicação, com variação de 6,3%, impulsionado, em grande parte, pelo aumento das receitas das empresas que atuam nos segmentos como os de consultoria em tecnologia da informação e tratamentos de dados, além de provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na Internet.

