Mais de 700 mil pessoas em nove municípios do Amazonas e de Rondônia poderão ser beneficiadas com a implantação da Infovia 5, rede de fibra óptica subaquática que começou a ser instalada nesta segunda-feira (21), no Rio Madeira. A estrutura faz parte do programa Norte Conectado e vai ligar Autazes (AM) a Porto Velho (RO) por meio de 1.116 quilômetros de cabos instalados no leito do rio e outros 210 quilômetros de rede terrestre.
Segundo o Ministério das Comunicações, a infraestrutura foi planejada para ampliar a conectividade em regiões da Amazônia onde o acesso à internet ainda é limitado. A rede deverá atender órgãos públicos, como hospitais, escolas, unidades do Judiciário e das Forças Armadas, além de permitir que provedores privados ampliem a oferta de internet à população. A internet não será gratuita, mas operada por um consórcio de empresas.
O coordenador-geral de Projetos de Infraestrutura do Ministério das Comunicações, Hugo Monteiro, explicou que as empresas interessadas em integrar o consórcio participarão de um chamamento público.
“Um projeto dessa magnitude não funciona se a gente não tiver uma estrutura bem pensada para operação e manutenção. Forma-se um consórcio que vai operar essas infovias. É um chamamento público. As empresas interessadas se cadastram nesse chamamento e formam um consórcio que vai ter entre três e 12 empresas. Esse consórcio terá um líder, que será a principal ponte de comunicação para garantir a operação e manutenção em nome do consórcio”, afirmou.
Segundo o representante do Ministério das Comunicações, metade da capacidade da rede será destinada ao atendimento de órgãos públicos, enquanto a outra metade ficará disponível para exploração comercial pelos provedores.
“Essa infraestrutura foi desenhada para que metade da capacidade dela seja utilizada pelo consórcio, para exploração comercial, e a outra metade seja utilizada pelo poder público, para interligar escolas, hospitais, Forças Armadas e outros órgãos públicos”, disse.
Implantação
A primeira etapa do lançamento de cabos da Infovia 5 ocorre entre Autazes e Manicoré e deve durar entre 19 e 20 dias. O lançamento dos cabos é feito por uma balsa-plataforma adaptada para a operação, após estudos técnicos que definiram o trajeto da fibra óptica no fundo do rio.
De acordo com a Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável pela execução do projeto, o percurso foi definido com base em levantamentos sobre profundidade, tipo de solo, presença de formações rochosas e áreas sujeitas à seca, para reduzir o risco de danos à infraestrutura.
A CEO da EAF, Gina Marques, informou que o investimento na Infovia 5 está estimado entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões, e que deve beneficiar em torno de 700 mil pessoas. Segundo ela, os cabos possuem 27 pares de fibras ópticas, mas apenas um será utilizado inicialmente, permitindo futuras ampliações da capacidade da rede.
Navegação e garimpo
No Rio Madeira, um dos principais desafios é a intensa movimentação de embarcações e as dragagens realizadas para manter a hidrovia navegável. Além disso, segundo o diretor de Operações da EAF, Geraldo Segatto, a presença de garimpos ilegais na região também representa um fator de risco para a operação.
“O Rio Madeira é um rio muito diferenciado e um dos mais complexos de todas as infovias que a gente está fazendo pelo nível de navegação intensa. E outra preocupação nossa é que isso é bem complexo porque não dá para a gente prever”, afirmou.
Para reduzir esse risco, a EAF informou que, no trecho entre Manicoré e Porto Velho, os cabos serão enterrados em pontos considerados mais críticos, aumentando a proteção contra futuras dragagens e outras intervenções no leito do rio. No trecho entre Autazes e Manicoré, o cabo será apenas acomodado sobre o fundo do rio.
Segatto afirmou, ainda, que todo o trajeto dos cabos lançados no rio é georreferenciado e compartilhado com a Marinha e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para que eventuais obras de dragagem em períodos de estiagem sejam planejadas sem comprometer a rede.
“Tem uma outra complexidade porque o rio na época da seca, diante do grande trânsito de embarcações, baixa muito e é necessário fazer dragagem para garantir que a hidrovia seja mantida. Atuamos junto à Marinha e DNIT . Após o lançamento dos cabos, compartilhamos informações com esses órgãos, disse.
Após a conclusão do lançamento dos cabos, serão instalados os Centros Móveis de Alta Disponibilidade (CMADs), estruturas que concentram os equipamentos responsáveis pelo funcionamento da rede. Os módulos utilizam energia solar e baterias para manter o serviço em funcionamento em caso de interrupção no fornecimento de energia elétrica.
Fonte: G1.

