Integrantes do Comando Vermelho (CV) monitoravam embarcações das forças de segurança e enviavam alertas para que traficantes mudassem as rotas de carregamentos de drogas no Amazonas. Segundo a Polícia Civil, o esquema ajudava a evitar fiscalizações e abordagens nos rios que dão acesso a Manaus. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (27), durante a Operação Visão Noturna.
A operação resultou na prisão de seis suspeitos de integrar uma célula da facção criminosa. Outros quatro investigados são considerados foragidos. Além das prisões, a polícia cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em áreas urbanas e rurais próximas à capital.
De acordo com o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), delegado Mário Paulo Telles, os investigados acompanhavam principalmente a movimentação de embarcações da Polícia Civil e da Polícia Militar em pontos estratégicos da região.
Segundo as investigações, os suspeitos ficavam posicionados na orla de Manaus, no Furo do Paracuúba e em áreas dos municípios de Iranduba e Manacapuru. Quando identificavam a presença das forças de segurança, repassavam as informações em tempo real por meio de um grupo de mensagens chamado “Visão Noturna”.
Com os avisos, os traficantes conseguiam alterar as rotas das embarcações carregadas com drogas e dificultar as ações policiais.
“Nós conseguimos, na investigação, identificar que esses criminosos faziam parte desse grupo de WhatsApp, denominado Visão Noturna, e nesse grupo eles centralizavam as informações. Eles, os criminosos, estavam distribuídos em vários pontos da orla da cidade de Manaus, no Furo do Paracuba, no Iranduba, no Manacapuru”, disse o delegado.
Além de monitorar as embarcações policiais, o grupo também dava suporte logístico ao transporte de grandes carregamentos de drogas destinados a abastecer a facção criminosa em Manaus.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidas seis armas de fogo: dois fuzis calibre 5.56, duas espingardas calibre 12, uma pistola 9 milímetros e um revólver calibre 38. Segundo o DRCO, os fuzis eram usados na escolta de carregamentos de drogas vindos da região de fronteira.
Investigação começou após apreensão de drogas
A operação é resultado de uma investigação iniciada após a apreensão de cerca de 4,5 toneladas de drogas em uma balsa, em fevereiro deste ano, na região de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
A partir da apreensão, a polícia identificou a atuação da célula e descobriu que os integrantes recebiam ordens de líderes do Comando Vermelho, muitos deles foragidos do Amazonas.
As diligências continuam para identificar outros possíveis integrantes e esclarecer como funcionava a estrutura usada pelo grupo para monitorar as forças de segurança e apoiar o transporte de drogas.
A operação conta com o apoio de equipes do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Departamento de Repressão a Furtos e Roubos (DERFD), Departamento de Polícia Fluvial (Deflu), Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

