O Amazonas registrou 3.070 incêndios florestais entre 1º de janeiro e 22 de setembro de 2026, segundo dados do sistema de monitoramento do Comitê de Crise do Estado. O número representa um aumento de 134,7% em relação a todo o ano de 2025, quando foram contabilizados 1.308 casos, conforme o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).
O avanço dos registros ocorre em meio ao cenário de estiagem e baixa umidade do ar em diferentes regiões do estado. De acordo com o Governo do Amazonas, a situação é considerada mais complexa na região central, onde a umidade relativa do ar tem atingido níveis classificados como “muito baixos”. Além do Sul do Amazonas, a Região Metropolitana de Manaus também apresenta registros frequentes de queimadas.
A Defesa Civil do Amazonas informou que 17 municípios estão em situação de emergência devido à estiagem, enquanto outros 19 permanecem em estado de alerta. Para os próximos três meses, a previsão é de poucas chuvas, principalmente nas regiões Leste e Oeste do estado.
Fumaça preocupa autoridades
A fumaça provocada pelas queimadas também tem afetado a população da capital e do interior. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), 130 atendimentos foram registrados na rede pública relacionados à inalação de fumaça. Ainda conforme a pasta, nenhum dos pacientes apresentou piora do quadro após o atendimento inicial.
Para reforçar o combate aos incêndios, cinco caminhões de alta potência devem chegar a Manaus na próxima quarta-feira (30). Os equipamentos foram adquiridos pelo Corpo de Bombeiros e estão sendo transportados do Rio Grande do Sul, com passagem por Belém (PA), antes de serem distribuídos para operações na capital e no interior.
Os veículos devem reforçar o trabalho de aproximadamente 1 mil agentes mobilizados durante o período de maior ocorrência de incêndios.
O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, afirmou nesta quinta-feira (23) que o Amazonas busca ampliar o apoio do Governo Federal para o enfrentamento das queimadas. Segundo ele, há previsão de reunião com representantes do Ministério da Justiça nos próximos dias.
“Ontem, tive um retorno com a possibilidade do acionamento do Protocolo Pegasus. Ele mobiliza aeronaves de outros estados para apoiar o Amazonas”, afirmou Muniz.
Incêndios são atribuídos à ação humana
Segundo o Comitê de Crise, quase a totalidade dos incêndios registrados no Amazonas tem origem em ações humanas. Entre as situações apontadas estão a queima de fios para retirada e comercialização do cobre e a utilização do fogo para eliminar lixo ou limpar terrenos e áreas de vegetação.
Com o período de estiagem e as condições de baixa umidade, as chamas podem se espalhar rapidamente e sair de controle.
Desde 9 de setembro, está em vigor o Decreto nº 55.339, que proibiu, por 120 dias, o uso do fogo para essas finalidades em todo o Amazonas. A fiscalização foi ampliada pela Polícia Civil, com apoio do Batalhão Ambiental.
O descumprimento da medida pode resultar em multas que variam de R$ 3 mil a R$ 50 milhões, além de responsabilização criminal, com penas previstas de dois a quatro anos de prisão, conforme o caso.
“As pessoas têm a sua parcela de contribuição e precisam fazer parte da solução, entendendo que não podem fazer fogo. Vamos continuar combatendo”, afirmou o comandante-geral do CBMAM.

