A advogada e professora Fabi Diniz de Queiroz Pilate tomou posse, nesta sexta-feira (31), como promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), tornando-se a primeira mulher trans a assumir o cargo no Ministério Público brasileiro. A cerimônia foi realizada na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, no bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Manaus.
Além de Fabi, outros quatro promotores aprovados no concurso público também foram empossados durante a solenidade, conduzida pela procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Nascimento Albuquerque. O evento reuniu membros do Ministério Público, autoridades e familiares dos novos integrantes da instituição.
Um dos momentos marcantes da cerimônia foi a entrega da toga a Fabi, feita por seu marido, antes do compromisso formal de posse.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/5/N/ppz6dFTrAekhQSwAKMuw/whatsapp-image-2026-07-31-at-18.46.48.jpeg)
Durante o discurso de encerramento da solenidade, a procuradora-geral de Justiça destacou o caráter histórico da posse de Fabi e afirmou que a conquista vai além de uma vitória individual.
“A sua conquista transcende a vitória pessoal e o mérito individual”, afirmou Leda Mara. Segundo ela, a aprovação e a posse da primeira mulher trans a assumir o cargo de promotora de Justiça no Brasil representam a concretização dos princípios da Constituição de 1988 e demonstram que “a promessa da Constituição Cidadã de 1988 não é uma ilusão retórica”.
A procuradora-geral também afirmou que, em um país onde a população trans ainda luta diariamente pelo direito de existir com segurança e dignidade, a presença de Fabi na instituição representa “uma mensagem potente de esperança, de superação e de justiça restaurativa”. Para Leda, a trajetória da nova promotora inspira não apenas a sociedade amazonense, mas todo o país, e reafirma o Ministério Público como “a casa da diversidade, da inclusão e da proteção incondicional à dignidade humana”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/a/R/oPBv1WTieX8iREuYz0UQ/whatsapp-image-2026-07-31-at-18.46.48-1-.jpeg)
Marco para a representatividade
Antes da posse, Fabi afirmou que o momento representa mais do que uma conquista pessoal e simboliza a ampliação da representatividade dentro do sistema de Justiça.
Segundo ela, a presença de uma promotora trans no Ministério Público reforça a importância da diversidade na composição das instituições democráticas.
“A presença de uma Promotora de Justiça trans significa que o Ministério Público começa, ainda que de maneira incipiente, a refletir em sua composição a pluralidade da sociedade brasileira. Instituições democráticas se fortalecem quando conseguem representar, não apenas em sua atuação, mas também em sua própria formação, a diversidade do povo em nome do qual exercem suas funções”, afirmou.
Fabi também disse que a posse chama atenção para a realidade enfrentada pela população trans no Brasil e para a necessidade de ampliar o acesso aos direitos fundamentais.

