A Fifa divulgou nesta segunda-feira (6) um comunicado oficial para esclarecer a polêmica envolvendo o atacante Folarin Balogun, liberado para disputar as quartas de final da Copa do Mundo de 2026 mesmo após ter sido expulso na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina.
A decisão da entidade ganhou repercussão internacional depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente a punição aplicada ao jogador e pediu que a Fifa revisasse o caso. O árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela expulsão de Balogun após revisão do VAR, também entrou no centro da discussão.
Segundo a Fifa, o Comitê Disciplinar não anulou o cartão vermelho mostrado por Claus durante a partida de 1º de julho. A entidade reforçou que a expulsão foi mantida e que Balogun foi considerado culpado tanto pela falta grave que motivou o cartão quanto por retornar ao gramado para comemorar com os companheiros após já ter sido expulso.
No julgamento concluído no último sábado (5), o atacante recebeu suspensão de uma partida e multa de US$ 40 mil (cerca de R$ 205 mil na cotação atual). Metade do valor refere-se à infração que resultou na expulsão, enquanto a outra metade diz respeito à conduta durante a comemoração. A Federação de Futebol dos Estados Unidos também foi considerada solidariamente responsável pelo pagamento da multa.
Por que Balogun poderá jogar?
O ponto central da polêmica é que, embora tenha aplicado a suspensão automática prevista para cartões vermelhos, o Comitê Disciplinar decidiu suspender imediatamente a execução dessa pena com base no artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa.
Na prática, a punição ficará em período de experiência por um ano. Isso significa que Balogun poderá atuar normalmente contra a Bélgica nesta segunda-feira (6). Caso cometa uma infração semelhante durante esse período, a suspensão de um jogo será executada, além de qualquer nova sanção aplicada pelo Comitê.
A Fifa afirmou que a medida levou em consideração “todas as circunstâncias específicas do incidente e as provas disponíveis” e destacou que o artigo 27 concede ao Comitê Disciplinar autonomia para suspender a execução de qualquer sanção disciplinar, desde que o caso não envolva manipulação de resultados.
Entidade rebate críticas
No comunicado, a Fifa também fez questão de responder às críticas de que teria voltado atrás na decisão da arbitragem.
Segundo a entidade, o Comitê Disciplinar é independente e não alterou a decisão tomada em campo por Raphael Claus. O documento reforça que o cartão vermelho permanece válido e que a única medida adotada foi suspender os efeitos da punição automática prevista para o jogo seguinte.
A Fifa acrescentou que esse tipo de procedimento não é inédito. De acordo com a entidade, o uso do artigo 27 já ocorreu anteriormente durante as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026 e está plenamente previsto tanto no Código Disciplinar quanto no regulamento da competição.
Por fim, a entidade comparou o caso com práticas adotadas em diversas ligas nacionais filiadas à Uefa, nas quais revisões de consequências disciplinares após cartões vermelhos são comuns. Para a Fifa, suspender os efeitos de uma punição prevista em regulamento representa uma solução equilibrada e não significa, em nenhum momento, a anulação da expulsão aplicada pela arbitragem.

