Em sua 321ª reunião, o Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam) analisa nesta quinta-feira (27) uma pauta com 45 projetos industriais que, juntos, preveem cerca de R$ 434,6 milhões em investimentos fixos e R$ 590,3 milhões em investimentos financeiros. As propostas também estimam a criação de 1.081 novos postos de trabalho no Amazonas.
A reunião acontece a partir das 10h, no auditório Silveira Fontes, no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), no Distrito Industrial, em Manaus. Entre os projetos incluídos na pauta prévia, 22 são de implantação de novos empreendimentos no Polo Industrial de Manaus (PIM), 21 correspondem à diversificação de empresas já instaladas e dois são de atualização.
A maior parcela dos investimentos está concentrada justamente nos projetos de diversificação. Ao todo, essas propostas somam R$ 364,6 milhões em investimentos fixos, enquanto os projetos de implantação representam R$ 70 milhões.
Em relação à geração de empregos, a diferença é menor. Os projetos de diversificação preveem 651 vagas, enquanto os de implantação devem gerar 388 postos de trabalho. Os números indicam que empresas já instaladas no PIM continuam ampliando e diversificando suas linhas de produção.
Pauta menor que a anterior
O volume de projetos é inferior ao registrado na reunião anterior, realizada em junho, quando 80 propostas foram analisadas, com previsão de R$ 2,68 bilhões em investimentos. A redução, no entanto, não é vista com preocupação pela Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti).
Segundo o titular da pasta, Gustavo Igrejas, a reunião anterior teve um número excepcionalmente alto de propostas e um prazo maior para a submissão dos projetos. Para ele, os 45 projetos previstos para esta quinta-feira ainda representam um número acima da média histórica do conselho, de aproximadamente 30 propostas por reunião.
“Os números da pauta são muito bons. A pauta anterior, que aprovou 80 projetos, foi a maior de todos os tempos e teve um período maior de prazo para submissão de projetos. 45 projetos é um patamar muito acima da média histórica de 30 projetos por pauta”, afirmou o secretário.
Igrejas também destacou que, com a nova pauta, o número de projetos analisados pelo Codam em 2026 já supera o registrado no mesmo período do ano passado. Segundo ele, são 214 projetos até agora, contra 189 nas quatro primeiras reuniões de 2025.
A expectativa da Sedecti é de que o estado volte a superar o recorde de projetos aprovados. Em 2025, foram 320 propostas aprovadas, o maior número registrado até então.
Para o secretário, os indicadores demonstram um momento positivo para a Zona Franca de Manaus (ZFM). Ele citou o faturamento superior a US$ 23 bilhões no primeiro semestre, mais de 130 mil empregos diretos e quase US$ 11 bilhões em investimentos totais como sinais de confiança dos investidores no modelo.
TCL SEMP concentra maior volume de recursos
Entre os projetos da pauta, a TCL SEMP aparece como um dos principais destaques pelo volume de investimentos previstos. A empresa pretende ampliar a fabricação de telefones celulares e incluir tablets entre os produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus com incentivos da Zona Franca.
As duas propostas são classificadas como projetos de diversificação. Uma delas prevê R$ 283,7 milhões em investimentos fixos e R$ 298,2 milhões em investimentos financeiros para a fabricação de celulares. A produção estimada é de 1 milhão de unidades no primeiro ano, 1,5 milhão no segundo e 2 milhões no terceiro. O projeto prevê ainda a criação de 184 empregos.
A segunda proposta prevê R$ 35,8 milhões em investimentos fixos, R$ 33,6 milhões em investimentos financeiros e a geração de 72 postos de trabalho para a fabricação de tablets.
Somados, os dois projetos da TCL SEMP representam cerca de R$ 319,5 milhões em investimentos fixos, R$ 331,8 milhões em investimentos financeiros e 256 empregos. O valor corresponde a aproximadamente 74% de todo o investimento fixo previsto nos 45 projetos da pauta.
Mobilidade elétrica
A pauta do Codam também reúne projetos relacionados à mobilidade elétrica. Entre eles estão propostas para a fabricação de bicicletas elétricas, ciclomotores e motocicletas elétricas.
A Saige Veículos da Amazônia, por exemplo, propõe a produção de ciclomotores e motocicletas elétricas, enquanto a GO Indústria de Motos prevê a fabricação de bicicletas elétricas.
Além dos segmentos de eletroeletrônicos e mobilidade, os projetos abrangem diferentes áreas da indústria, incluindo componentes para televisores e monitores, produtos plásticos, embalagens, alimentos e bebidas, produtos químicos e materiais para a construção civil.
Também há propostas relacionadas à indústria naval, com a fabricação de balsas e embarcações destinadas ao empurramento de outros barcos.
A pauta ainda evidencia que o movimento industrial no PIM envolve não apenas expansão. Entre os chamados “outros pleitos”, há empresas que solicitam a paralisação temporária de linhas de produção, enquanto outras pedem alterações no enquadramento de produtos e nos incentivos fiscais.

