A economia brasileira retomou o ritmo de crescimento em abril, mas iniciou o segundo trimestre com desempenho abaixo do esperado, em meio a uma esperada desaceleração depois de ter começado o ano com força, mostraram dados do Banco Central (BC) nesta quarta-feira (17).
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 0,5% em abril na comparação com março, quando houve recuo de 0,2%, de acordo com dados dessazonalizados.
A leitura de abril ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,6%. O BC revisou o dado de março depois de ter divulgado inicialmente queda de 0,7% no mês.
A economia do Brasil acelerou no primeiro trimestre deste ano com expansão de 1,1% frente aos três últimos meses de 2025, segundo dados do IBGE, mas a expectativa é de desaceleração da atividade à frente com uma esperada perda de força do consumo.
O BC decide nesta quarta-feira seu próximo passo de política monetária, com a Selic atualmente em 14,50%, depois de ter pregado cautela diante das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e as expectativas de inflação globalmente.
Estados Unidos e Israel anunciaram um acordo preliminar de paz, mas ainda faltam detalhes sobre o plano, que deve ser assinado na sexta-feira. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta, no entanto, que o memorando de entendimento não é definitivo e que pode retomar os ataques se não gostar dele.
Os dados do BC mostram que em abril indústria e serviços tiveram desempenhos positivos, com ganhos de 0,4% e 0,3% sobre março respectivamente. Já a agropecuária ficou estagnada.
Dados anteriores do IBGE mostraram que, no mês, o setor de varejo foi o único com resultado negativo, com as vendas recuando 1,5% na comparação com março, queda mais intensa em quase quatro anos.
Por outro lado, a produção industrial registrou avanço de 0,7% em abril, quarto mês consecutivo de alta, enquanto o volume de serviços teve no mês a maior alta desde o final de 2024, de 1,2%, segundo o IBGE.
Na comparação com abril do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 0,9%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 1,6%, segundo números não dessazonalizados.
A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,96%, indo a 1,70% em 2027.
O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.


