O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta sexta-feira (7), com o Ibovespa fechando na mínima em um mês, em meio à repercussão de uma nova bateria de resultados corporativos, com Petrobras entre as maiores pressões, mesmo após um dos maiores lucros trimestrais da sua história.
O índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,76%, para 172.455,20 pontos, chegando a 172.131,20 na mínima do dia. No melhor momento, nos primeiros negócios, avançou a 176.116,84 pontos.
Na semana, o Ibovespa acumulou uma perda de 3,11%, também conforme os números antes dos ajustes finais de fechamento.
Já o dólar caiu no Brasil e encerrou a semana abaixo dos R$ 5,10, após o fechamento inesperado de postos de trabalho nos EUA em julho pesar sobre a moeda norte-americana em todo o mundo.
O Departamento do Trabalho informou que foram fechados 23 mil postos de trabalho nos EUA em julho, contrariando a expectativa de economistas ouvidos em pesquisa da Reuters, de abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, ante 4,2% projetados.
A surpresa negativa com o relatório de empregos disparou a queda forte dos rendimentos dos Treasuries e a venda da moeda norte-americana, com os investidores avaliando que a fraqueza dos dados reduz as chances de o Federal Reserve subir juros no curto prazo.
A moeda à vista fechou o dia com baixa de 0,41%, aos R$ 5,0845.
Na semana, porém, a divisa acumulou alta de 0,31%. No ano, a baixa acumulada é de 7,37%.
Ações de destaque
Dentre os papéis do Ibovespa, poucos são os que sobem nesta sexta-feira. As ações do Fleury tentam levantar o principal índice da B3 após resultado positivo de balanço, com uma alta de 18% nesta sessão.
O balanço registrou lucro líquido de R$ 221,9 milhões no segundo trimestre, alta de 45,7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a receita bruta cresceu 14,4%, para R$ 2,5 bilhões, em desempenho puxado principalmente pela B2C (divisão de medicina diagnóstica voltada ao consumidor).
Os papéis da empresa de medicina subiam cerca de 18,95% no dia.
Já entre os destaques negativos estão as ações das Lojas Renner, que cederam 8%.
A empresa registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no segundo trimestre de 2026, praticamente estável em relação a igual período do ano passado, quando somou R$ 404,5 milhões.
O presidente da empresa, Fabio Faccio, afirmou que as vendas ficaram abaixo do previsto, principalmente pelo impacto da Copa do Mundo sobre o fluxo das lojas.
“Historicamente, é uma coisa que já acontece, mas acontecia muito concentrado nos dias de jogos do Brasil. Dessa vez foi muito diferente, a redução do fluxo aconteceu durante todo o evento.”
A Magazine Luiza, por sua vez, também decepcionou no balanço do 2º trimestre. A varejista registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo lucro de R$ 1,8 milhão registrado um ano antes.
Com o resultado, os papéis da empresa caíram 3,73% no dia.
Já a Petrobras, que subia durante a manhã após um bom resultado nos meses entre abril e junho, não conseguiu sustentar as altas após o CFO da empresa, Fernando Melgarejo, afirmar que a empresa não deve colocar a distribuição de dividendos extraordinários como prioridade neste ano.
O seu balanço, no entanto, apontou recordes de resultado. Durante o 2° trimestre, a empresa obteve um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8% em relação aos R$ 26,7 bilhões apurados no mesmo período do ano passado e recorde para a companhia.
Segundo Melgarejo, o resultado do lucro não recorrente de R$ 55,8 bilhões é o terceiro maior para a empresa, um avanço de 40,5% sobre os R$ 23,2 bilhões registrados entre abril e junho de 2025.
O resultado, de acordo com o balanço divulgado ontem, foi impulsionado principalmente pela elevação do preço do petróleo, pelo aumento da produção e pelo crescimento das exportações.
“Estamos operacionalmente muito bem”, constatou o diretor financeiro, que também acrescentou que a companhia chegou a marca de 2,7 milhões de barris por dia, mais uma marca histórica para a companhia.

