Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia em conversas reservadas que as cúpulas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) fizeram uma jogada ensaiada nos bastidores com o ministro Alexandre de Moraes na tentativa de retirar de André Mendonça a relatoria do inquérito que investiga o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A avaliação de uma parte do tribunal era de que, embora não trate diretamente do INSS, a apuração envolve os mesmos personagens e partiu de elementos encontrados no caso do esquema sobre aposentados, o que justificaria o envio do pedido de investigação diretamente para Mendonça.
No entanto, ao encaminhar a representação ao Supremo, a Polícia Federal afirmou que a investigação trata de fatos distintos e que o correto seria sortear um novo relator para o inquérito.
O ministro Alexandre de Moraes, que preside o STF na segunda quinzena do recesso da corte, recebeu a solicitação no último dia 24 e pediu uma manifestação da PGR.
O órgão, chefiado por Paulo Gonet, concordou com a PF e defendeu a livre distribuição do pedido de investigação. Depois disso, Moraes mandou o caso para sorteio e, por coincidência, caiu com Mendonça.
A avaliação de uma ala da corte é de que a PF aguardou Moraes assumir a presidência para fazer o pedido e evitar que a decisão sobre o relator fosse do presidente Edson Fachin, que tem dado total respaldo a Mendonça na condução dos inquéritos do INSS e do Banco Master.
A compreensão de que tentou-se driblar a relatoria do magistrado decorre, entre outros fatores, da relação tensa do ministro com integrante dos órgãos de investigação.
Isso porque as cúpulas da polícia e da Procuradoria protagonizaram embates recentes com Mendonça. Em março, por exemplo, o magistrado afirmou que era lamentável a posição da PGR de não ver urgência na operação desencadeada naquela data contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em relação à PF, o ministro determinou à corporação que o informasse sobre qualquer mudança na equipe de investigação do INSS e comunicasse o andamento das apurações. A medida desagradou à polícia, que acionou a AGU (Advocacia-Geral da União) para elaborar ações jurídicas a fim de reverter a decisão.

