A Índia, país mais populoso do mundo, levará um ano para realizar seu censo populacional, que sofreu um atraso de seis anos devido a obstáculos criados, em parte, pela pandemia de COVID-19.
O levantamento populacional, realizado a cada dez anos e originalmente previsto para 2021, começou nesta quarta-feira (1º) com um curto período para que os cidadãos se cadastrem online, segundo o governo.
Mais de 3 milhões de funcionários estarão envolvidos na tarefa, que será realizada em 36 estados e territórios federais, 7.092 subdistritos, 5.128 cidades, 4.580 cidades censitárias e cerca de 639.902 aldeias, de acordo com dados de censos anteriores.
Haverá duas fases de pesquisas presenciais porta a porta. A primeira listará as casas e as condições de moradia; a segunda, os habitantes e seus parâmetros econômicos e sociais, informou um funcionário do censo.
Com uma população de mais de 1,4 bilhão de pessoas, a Índia ultrapassou a China em 2023, segundo o Fundo de População das Nações Unidas.
Analistas e economistas não consideram o tamanho da população indiana motivo de alarme. O governo há muito tempo destaca a população predominantemente jovem como uma oportunidade para criar uma grande reserva de trabalhadores qualificados, enquanto muitas das principais economias lutam contra a diminuição e o envelhecimento da força de trabalho.
Dados censitários precisos são cruciais para a formulação de políticas eficazes na Índia, principalmente para o planejamento de infraestrutura, afirmou a economista e fundadora do Grupo de Pesquisa Nikore Associates, Mitali Nikore.
“É muito importante que comecemos a investir nos locais certos, nos lugares certos dentro da cidade, considerando as diferenças entre áreas rurais e urbanas”, disse ela.
O censo também coletará informações sobre castas, informou o governo. O sistema de estratificação social remonta a milhares de anos e continua presente na vida e na política dos indianos.
Existem dezenas de partidos políticos baseados em castas, e muitas instituições estatais são obrigadas a oferecer cotas de ação afirmativa para as chamadas castas inferiores em relação a empregos e vagas em universidades.
A Índia registrou suas castas em 2011 pela primeira vez em 80 anos, mas os dados não foram totalmente divulgados devido a preocupações com sua precisão.
Espera-se que o censo seja concluído em março do próximo ano. Narayan afirmou que diversos conjuntos de dados do censo, registrados digitalmente pela primeira vez, serão divulgados logo em seguida.

