O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu desculpas, em entrevista à emissora CNN nesta sexta-feira (15), por ter negado inicialmente qualquer relação com o banqueiro Daniel Vorcaro nas negociações para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A mudança de versão ocorreu após o Intercept Brasil divulgar áudios, mensagens, documentos e comprovantes bancários relacionados às tratativas envolvendo o projeto.
A resposta veio depois que a imprensa questionou sobre como o público poderia confiar em sua versão após ter negado anteriormente a relação com Vorcaro.
“Se alguém não entende a razão da minha obrigação de me comportar daquele jeito, eu peço desculpas. Eu sabia que isso ia acontecer, essa perseguição, sabia que iam jogar sujo”, declarou.
“O método da esquerda é o da facada. Eu tô fazendo campanha com colete à prova de bala. Eu sei que vou incomodar muita gente ainda”, continuou.
Flávio havia negado qualquer envolvimento com Vorcaro no financiamento do longa. Após a divulgação dos diálogos e documentos, no entanto, o senador admitiu ter buscado patrocínio privado para a produção.
O projeto “Dark Horse” pretende retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro e contaria com nomes de Hollywood, como o ator Jim Caviezel.
Possível vazamento de vídeo ou encontro com Vorcaro
Flávio Bolsonaro também disse durante a entrevista que há a possibilidade de vazamento de algum “videozinho” com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas que a relação entre os dois se deu estritamente para tratar do filme “Dark Horse”.
“É legitimo que pensem dessa forma [sobre novos vazamentos], mas não tem nada diferente do filme. Pode vazar um ‘videozinho’ mostrando o estúdio que eu possa ter enviado pra ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele, foi tudo para tratar sobre o filme, não vai ter surpresinha”, afirmou.
“Nunca viajei com ele [Vorcaro], não tinha convívio social com ele. Minha conexão foi estritamente para o investimento do filme”, completou.
- Contrato
Durante a entrevista, o parlamentar disse estar “100% disposto” a tornar público os contratos de investimento do filme “Dark Horse”.
Segundo a troca de mensagens vazada pelo Intercept Brasil, Flávio teria negociado cerca de R$ 134 milhões com o dono do Banco Master para financiar a produção. À imprensa o senador afirmou que os contratos tem vínculo com um fundo privado e sediado nos Estados Unidos e que a publicização depende de regras de compliance.
“Eu estou 100% disposto a isso [tornar o contrato público]. Mas é um contrato nos EUA que é gerido por um fundo privado, que tem as regras de compliance. Eu não sei se eles têm esse mesmo entendimento que eu”, declarou.
- Relação com Romeu Zema
Logo após o vazamento da troca de mensagens, o também pré-candidato na disputa presidencial Romeu Zema (Novo), foi às redes sociais condenar o áudio de Flávio, afirmando ser “imperdoável” o relacionamento do parlamentar com o banqueiro.
Questionado sobre a declaração do ex-governador mineiro, Flávio afirmou que Zema se “precipitou” ao criticá-lo e que uma possível chapa se torna “inviável”.
“Eu acho que foi um equívoco, eu liguei para ele ontem, tentei falar com ele. Não é justo o que ele fez comigo. Ele se equivocou, tenho certeza que ele deve estar arrependido neste momento, depois das minhas explicações”, declarou Flávio.
- Flávio Dino
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino decidiu, nesta sexta-feira, abrir uma investigação sigilosa para apurar supostos direcionamentos de emendas parlamentares para projetos culturais, entre eles está o filme sobre Jair Bolsonaro.
Questionado sobre a decisão do magistrado, o pré-candidato negou que recursos de emendas tenham sido usados para financiar o longa e saiu em defesa do deputado federal Mário Frias (PL-RJ).
“Não teve [uso de emendas]. O Mário Frias, o que ele me disse é que já foi investigado e não teve nada equivocado. Não tem essa vinculação com o filme. Não tem nada de errado na verba parlamentar que ele destinou para essa instituição”, afirmou.
Flávio também disse que os parlamentares envolvidos irão explicar a destinação dos recursos.
“Os deputados vão vir à tona e explicar com honestidade para onde foi esse dinheiro”, declarou.
- Confiança em Eduardo e Mario Frias
No que diz respeito ao repasse financeiro, Flávio disse confiar 100% no irmão Eduardo Bolsonaro e também em Mário Frias.
“Eu confio 100% neles! Eles se colocaram à disposição para fazer uma grande obra de arte”, respondeu durante a entrevista.
O senador informou, inclusive, que Eduardo teria investido dinheiro próprio na produção “para segurar o roteirista”.
“Todos os recursos que foram investidos nesse fundo privado nos Estados Unidos foram usados 100% no filme. Como eu falei anteriormente, esse contrato onde o Eduardo era colocado como diretor executivo que vocês chamam, esse contrato é um contrato antigo que foi a plataforma legal para ele, Eduardo, colocar dinheiro no filme para segurar o roteirista”, disse.
“Está todo mundo muito tranquilo, só ficamos chateados, obviamente, de ter que perder tempo e vir explicar, mas vou fazer. Sou pessoa pública e tenho que vir à público explicar, fornecer os detalhes o tempo que for necessário, mas quando a gente quer fazer tudo legal, tudo bonitinho, acontece isso. Por isso que tantas pessoas boas estão deixando de investir no Brasil”, acrescentou.

