A unidade onde policiais militares presos eram mantidos em Manaus começou a ser desativada nesta terça-feira (12), durante uma operação realizada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A ação ocorre após a fuga de 23 policiais militares registrada em fevereiro deste ano.
Com a mudança, 70 policiais militares presos estão sendo transferidos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), localizada na BR-174, na Zona Rural de Manaus. A operação, chamada de “Sentinela Maior”, mobiliza mais de 100 agentes das forças de segurança e segue em andamento.
A Seap informou à imprensa que a UPPM/AM é uma nova estrutura criada para receber policiais militares custodiados no estado. A unidade começa a funcionar com a chegada dos presos transferidos nesta terça-feira e opera no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), que mais recentemente operava como Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na BR-174.
Até então, os presos ficavam no Núcleo Prisional da PMAM, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte da capital. Diferente da nova unidade, o núcleo funcionava como uma estrutura interna da própria corporação, em um prédio independente, usada de forma provisória para custodiar policiais militares presos. O espaço era destinado apenas a praças da PM, como soldados, cabos, sargentos e subtenentes.
Questionada sobre a existência de oficiais presos na corporação, quantos seriam e se eles também serão transferidos para a nova UPPM/AM, na BR-174, a Polícia Militar não ofereceu retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.
De acordo com o Ministério Público, o antigo núcleo apresentava problemas estruturais e operacionais. A nova unidade, por outro lado, terá funcionamento semelhante ao de um presídio oficial, com estrutura própria, regras específicas e maior controle de segurança e administração.
A mudança acontece meses após a fuga de 23 policiais militares da antiga unidade, registrada no dia 27 de fevereiro.
Na ocasião, durante uma vistoria de rotina, a Polícia Militar identificou a ausência dos detentos. Segundo a corporação, pelo menos 18 deles retornaram espontaneamente ainda na mesma noite. No dia seguinte, a PMAM informou que não havia mais foragidos e que a situação havia sido regularizada.
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Prisão de PMs
As investigações sobre o caso levaram à prisão de dois policiais militares durante a “Operação Sentinela”, realizada pelo Ministério Público em março. Conforme a 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (Proceapsp), os agentes estavam de serviço na guarda da unidade no dia da fuga e podem ter facilitado a saída dos presos.
Os nomes dos policiais não foram divulgados.
O promotor Armando Gurgel Maia, titular da 60ª Proceapsp, informou que as medidas cautelares têm como objetivo garantir a investigação, preservar a ordem pública e manter a hierarquia militar.
O Ministério Público afirmou ainda que as investigações continuam para identificar responsabilidades e apurar possíveis falhas no sistema de custódia da unidade.
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Operação desativa unidade prisional da PM em Manaus após fuga de 23 policiais — Foto: Lucas Macedo/g1 AM
Comandante da unidade foi preso
O major Galeno Edmilson de Souza Jales, então responsável pelo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, foi preso por decisão da Justiça.
Dias depois, o então governador do Amazonas, Wilson Lima, assinou o decreto que excluiu o oficial da Polícia Militar. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 11 de março.
Após a fuga, a Polícia Militar informou que os agentes responsáveis pela guarda da unidade foram presos em flagrante e afastados das funções. A Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) abriu procedimento para investigar o caso.
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Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas. — Foto: Ronaldo Lima/Rede Amazônica

