A mulher presa por suspeita de envolvimento no sequestro da recém-nascida Ayla, de 21 dias, dizia a familiares e amigos que a bebê era sua filha e chegou a compartilhar fotos da criança, segundo o delegado Ricardo Cunha, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
Jaqueline da Silva Braz, de 24 anos, foi presa na noite segunda-feira (10). No mesmo dia, também foram presos Lucas Pereira da Silva, de 22, e Wesley Nascimento Lopes, de 31.
O crime ocorreu na tarde de domingo (9), no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste de Manaus. Segundo as investigações, Jaqueline e Lucas planejaram atrair a mãe da bebê até a residência onde estavam com a promessa de entregar uma suposta doação de fraldas para a criança.
As três prisões foram realizadas ao longo da segunda-feira (10), em diferentes pontos de Manaus, após a mãe da bebê procurar a polícia e relatar o que havia acontecido.
Segundo o delegado Ricardo Cunha, Jaqueline havia contado a familiares, amigos e outras pessoas próximas que estava grávida e que tinha acabado de dar à luz.
“Ela informou para todo mundo que estava grávida e que havia acabado de dar à luz uma criança”, afirmou Ricardo Cunha.
Ainda segundo o delegado, a suspeita compartilhava fotos da bebê com familiares e amigos e apresentava a criança como se fosse sua filha.
A polícia ainda investiga a motivação do crime. Uma das hipóteses analisadas é a possibilidade de o sequestro ter alguma relação com tráfico humano. No entanto, segundo o delegado, ainda não há conclusão sobre essa linha de investigação.
“Essa motivação em si, se ela iria ver um tráfico humano depois, posteriormente, isso vai ser dirimido no inquérito policial”, afirmou.
Como ocorreu o sequestro
Segundo as investigações, os suspeitos mantinham contato com a mãe da recém-nascida havia algum tempo por meio de um aplicativo de mensagens. Durante dias, teriam feito convites para que ela fosse ao encontro do casal acompanhada apenas da filha.
No domingo, após ser atraída até o imóvel, a mulher teria sido dopada e agredida. Enquanto ela estava desorientada, a bebê foi levada pelo casal.
Depois, a vítima teria sido levada para outro imóvel, no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus. Segundo as investigações, ela foi violentada sexualmente por Wesley, que já estava no local.
Após recobrar a consciência, a mulher pediu ajuda a um motorista de aplicativo que estava no endereço e solicitou que fosse levada até a casa da mãe. Ao chegar, relatou o que havia acontecido e, acompanhada do companheiro, foi até a sede da DEHS, onde registrou um Boletim de Ocorrência (BO).
Bebê foi encontrada na rua
A partir da denúncia, as equipes iniciaram as buscas pelos envolvidos. A recém-nascida foi encontrada na tarde de segunda-feira (10), em via pública, no bairro Santo Agostinho, Zona Oeste de Manaus.
Um casal que encontrou a criança acionou a Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Os policiais levaram a bebê para uma unidade hospitalar, onde ela recebeu atendimento médico. Depois, a criança foi entregue aos cuidados da mãe.
Segundo a polícia, os três presos responderão pelos crimes de cárcere privado e subtração de menor. Wesley também responderá por estupro de vulnerável.
Após as prisões, os suspeitos foram encaminhados à unidade policial para os procedimentos cabíveis. Eles passarão por audiência de custódia e permanecerão à disposição da Justiça.

