Os registros de ameaça e lesão corporal envolvendo mulheres de 15 a 29 anos aumentaram 44% nos dias de jogos de futebol, segundo a segunda edição do estudo Futebol e Violência contra a Mulher, apresentado nesta terça-feira (11) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Magalu, em São Paulo.
O resultado faz parte de uma análise que considerou dados de 2023 a 2025 em cinco capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Foram considerados jogos do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e da Sul-Americana.
Para avaliar a relação entre as partidas e os registros de violência, o estudo utilizou diferentes modelos de análise. Segundo Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea, os resultados permaneceram consistentes independentemente da metodologia empregada.
“Em todos os modelos que fizemos os resultados eram basicamente os mesmos”, afirmou Cerqueira durante a coletiva.
Aumento também aparece dentro das residências
Além do recorte etário, os dados apontam crescimento expressivo dos registros dentro das residências. Nos dias de partidas, as ocorrências de lesão corporal por violência doméstica aumentaram 35,1%, enquanto os registros de ameaça cresceram 26,8%.
O levantamento também identificou alta de 27,4% nos registros de ameaça e de 28,8% nas ocorrências de lesão corporal por violência doméstica no conjunto analisado.
A pesquisa se concentrou nesses dois tipos de crime por eles permitirem observar diferentes etapas da dinâmica de violência contra a mulher. Segundo Cerqueira, a ameaça pode funcionar como mecanismo de dominação e anteceder agressões físicas.

