O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (26), em Manaus, que a reconstrução da BR-319 deverá seguir critérios rigorosos de preservação ambiental. A declaração foi feita durante a entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, no bairro Tarumã-Açu, Zona Oeste da capital.
A BR-319 liga Manaus a Porto Velho e enfrenta há décadas problemas de trafegabilidade, principalmente durante o período chuvoso. A recuperação da estrada é defendida por setores políticos e econômicos do Amazonas, mas também enfrenta questionamentos de ambientalistas sobre os impactos ambientais na floresta amazônica.
Durante o discurso, o presidente disse que o projeto vem sendo discutido há meses pelo governo federal devido à sensibilidade ambiental da região amazônica. “Ela não é uma estrada qualquer. Está situada em um lugar muito sensível da Amazônia. Para autorizar essa estrada, nós estamos discutindo há meses qual é o sistema de segurança ambiental mais seguro”, afirmou.
Segundo Lula, a proposta prevê ações conjuntas entre órgãos federais, estaduais e forças de segurança para evitar o avanço do desmatamento ilegal ao longo da rodovia.
“O que a gente não quer é que as pessoas, sem nenhum critério, desmatem a floresta para ganhar dinheiro vendendo madeira, sem levar em conta o prejuízo que isso pode causar ao meio ambiente”, disse.
O presidente afirmou ainda que a BR-319 poderá se tornar referência internacional em obras com controle ambiental.
“Talvez seja a estrada feita com o maior cuidado ambiental de qualquer país do mundo. Será uma estrada modelo de qualidade e preservação ambiental”, declarou.
Lula também deve visitar um trecho da rodovia ainda nesta terça, acompanhado de ministros e autoridades federais.
Licitações para obras no ‘trecho do meio’ foram retomadas
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BR-319 — Foto: Foto: Reprodução/Rede Amazônica
As declarações de Lula acontecem em meio ao avanço das obras previstas para o chamado “trecho do meio”” da BR-319, considerado o mais crítico da rodovia. No início de maio, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) reabriu o prazo de licitação de dois editais para obras de melhoria no pavimento da estrada.
As licitações haviam sido suspensas pela Justiça Federal após ação civil pública do Observatório do Clima, que questionou a dispensa de licenciamento ambiental nas intervenções.
A entidade argumentou que os serviços previstos caracterizam reconstrução e pavimentação da rodovia, o que exigiria estudos de impacto ambiental.
A suspensão, no entanto, foi derrubada horas depois pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), após recurso do Dnit e da Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo a decisão, a paralisação poderia comprometer a execução das obras durante a chamada “janela hidrológica” de 2026, período de estiagem considerado ideal para os serviços.
Os editais preveem obras em quatro trechos da BR-319, entre os quilômetros 250 e 590 da rodovia, além da construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu.
O investimento total previsto é de R$ 678 milhões, com prazo de execução de três anos.

