Um advogado foi preso na tarde desta quinta-feira (9), em Manaus. Ele é suspeito de estupro de vulnerável, ameaça, constrangimento ilegal e denunciação caluniosa. A ação ocorreu por meio da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), após a Justiça do Amazonas determinar a prisão preventiva.
A decisão, assinada pela juíza plantonista Priscila Pinheiro Pereira na quarta-feira (8), também autorizou mandados de busca e apreensão na residência do suspeito, a quebra de sigilo de dados telemáticos e a concessão de medidas protetivas em favor das vítimas.
Até o momento desta reportagem a defesa do advogado e a Ordem dos Advogados do Brasil não ofereceram resposta. O espaço segue aberto.
A investigação conduzida pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) reúne indícios da suposta prática de oito crimes pelo suspeito. Entre eles, as autoridades apuram cinco episódios de estupro de vulnerável que teriam ocorrido em Manaus, Brasília e São Paulo.
Também são apurados os crimes de ameaça, constrangimento ilegal de criança e adolescente e denunciação caluniosa. Na decisão, a juíza afirma que os relatos das vítimas apresentam riqueza de detalhes, espontaneidade e contextualização, características que, segundo o relatório anexado aos autos, conferem credibilidade às declarações.
Ao justificar a decretação da prisão, a juíza apontou risco à ordem pública e à instrução criminal. Segundo a decisão, o investigado teria adotado um padrão reiterado de abordagem das vítimas, utilizando relações de confiança, suposta administração de medicamentos, ameaças e intimidação para impedir denúncias.
A magistrada também cita indícios de que o advogado teria coagido uma das adolescentes a gravar vídeos negando os abusos e utilizado supostas incorporações de entidades espirituais para ameaçá-la de morte caso mantivesse as acusações. Também há indícios de monitoramento de testemunhas e descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.
Busca e apreensão e quebra de sigilo
Além da prisão, a Justiça autorizou buscas no apartamento onde o investigado reside, na Zona Oeste de Manaus. A decisão permite a apreensão de celulares, computadores, tablets, pen drives, cartões de memória, documentos e outros dispositivos eletrônicos.
Também foi determinada a quebra do sigilo dos dados armazenados nos aparelhos que devem ser apreendidos e das contas vinculadas a aplicativos de mensagens de troca de celular, redes sociais e serviços de mobilidade, para o período entre 16 de dezembro de 2025 e a data do cumprimento da decisão. Segundo a magistrada, a medida busca localizar provas digitais e identificar possíveis outras vítimas.
A Justiça ainda concedeu medidas protetivas em favor das vítimas e testemunhas, proibindo o investigado de manter contato ou se aproximar delas, além de determinar o afastamento do lar e de locais frequentados pelas adolescentes.

