O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (29), acumulando a sétima semana negativa seguida e confirmando o pior desempenho mensal desde 2023, em uma correção ditada pela saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.
O Ibovespa encerrou o dia com baixa de 0,73%, aos 173.787,49 pontos. O índice perdeu 1,37% na semana e 7,22% em maio.
A queda no mês foi a maior desde o declínio registrado em fevereiro de 2023 (-7,49%) – um movimento que tem como pano de fundo uma saída líquida de estrangeiros de R$ 14,1 bilhões em maio até o dia 27, excluindo ofertas de ações (IPOs e follow-ons).
A série de perdas semanais é a maior desde uma sequência também de sete quedas entre abril e maio de 2004. De acordo com dados da LSEG, considerando a série histórica até 1982, o Ibovespa nunca caiu por mais do que sete semanas consecutivas.
Já o dólar à vista fechou com alta de 0,24%, aos R$ 5,0453 na venda. Na semana, o dólar acumulou ganho de 0,27% e, em maio, alta de 1,82%.
A agenda do dia destacou dados do PIB do Brasil no primeiro trimestre, que mostraram a atividade econômica acelerando ante o final de 2025.
Os investidores também repercutem potenciais reflexos da decisão dos Estados Unidos de que irá designar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como “Organizações Terroristas Estrangeiras”.
Além disso, o conflito no Oriente Médio permanece no radar, após Donald Trump afirmar que se reunirá na Sala de Situação da Casa Branca nesta sexta-feira para tomar uma decisão final sobre um acordo com o Irã.
Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o “risco Brasil” e a saída dos investidores estrangeiros é o que tem ditado o movimento da bolsa.
“Acho que a bolsa realmente está um pouco à mercê do nosso atual nível de juros e cenário fiscal, o que vai corroendo as atratividades e as expectativas de melhora. O estrangeiro segue fazendo um movimento de rotação, saindo de Brasil e voltando para empresas de tecnologia”, avalia.
Estrategistas têm apontado que o desempenho de maio reflete uma rotação de volta para o setor de tecnologia nos Estados Unidos e Ásia, bem como perspectiva de um ciclo de cortes mais lento da Selic e incerteza com o cenário eleitoral.
No relatório Diário do Grafista, analistas do Itaú BBA destacaram que o Ibovespa está em tendência de baixa no curto prazo e terá caminho livre para uma realização de lucros mais intensa se ficar abaixo de 173.500 pontos (considerando o dado de fechamento).
“Para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro, o Ibovespa terá que superar a região de 179.500 pontos”, afirmaram.
O UBS cortou a recomendação das ações brasileiras de “atrativas” para “neutra” nesta semana, citando uma mudança no perfil de risco versus retorno, acrescentando que a visão mais ampla para mercados emergentes continua construtiva.
A equipe do banco destacou em relatório a clientes que a reprecificação dos valuations, o afrouxamento monetário, fortes entradas de capital estrangeiro em meio à demanda por diversificação em mercados emergentes e um cenário macroeconômico resiliente já se materializaram amplamente no desempenho do Ibovespa desde meados do ano passado, impulsionado tanto pelo crescimento de lucros quanto pela expansão dos múltiplos.
“Três fatores adversos convergentes agora alteram, em nossa visão, o equilíbrio de risco-retorno: o aumento da incerteza política relacionada às eleições, um ciclo de afrouxamento monetário do BC mais curto e menos intenso, e a aceleração do afrouxamento fiscal no período pré-eleitoral”, pontuou.
“Embora os fundamentos permaneçam resilientes, essas dinâmicas devem manter o equilíbrio entre risco e retorno até a eleição de outubro.”
PIB do Brasil
O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil avançou 1,1% no primeiro trimestre deste ano. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado pouco acima das expectativas do mercado, que tinha consenso justamente em crescimento de 1% no período, conforme divulgado pela Reuters.
Além disso, este é o resultado trimestral mais forte em um ano, diante do impulso da agropecuária e da indústria e com o consumo ganhando força em meio a um mercado de trabalho resiliente e medidas fiscais estimativas.

