A Ponte Benjamin Constant, localizada no bairro Cachoeirinha, na Zona Sul de Manaus, tem sofrido com depredação e furtos de peças de ferro. Um dos patrimônios históricos da capital amazonense, a estrutura preocupa moradores da região, que relatam insegurança, enquanto especialistas alertam para os impactos da perda de elementos originais da ponte.
Construída no fim do século XIX, a ponte metálica liga o Centro da capital ao bairro da Cachoeirinha. A estrutura metálica é um dos símbolos do ciclo da borracha na cidade. Atualmente, parte da ponte apresenta sinais de deterioração, com peças de ferro sendo retiradas.
Para o historiador Otoni Mesquita, a retirada desses elementos compromete a preservação da história da cidade.
“Os monumentos históricos guardam um pouco ou bastante informações da nossa história. É um elemento muito importante para a nossa história, além da preservação do patrimônio”, afirma o historiador.
Moradores e trabalhadores da região dizem que a falta de segurança facilita a ação de pessoas que retiram partes da estrutura. Uma moradora, que preferiu não se identificar, afirma que o policiamento é insuficiente.
“A gente pede policiamento. Se uma viatura puder parar assim em cada esquina de rua, ficar um pouco assim, seria muito gratificante isso. Se não tivessem colocado o paredão, eu acredito que não tinha mais nenhum tipo de ferro da ponte aí”, relata a moradora.
Segundo a moradora, a sensação de insegurança aumenta no fim da tarde, quando o movimento de pessoas diminui. “No final da tarde, isso aqui é muito deserto. São muitas pessoas assim que faz a gente ter medo da nossa segurança”, lamenta.
Patrimônio histórico
Otoni Mesquita avalia que a preservação da ponte depende não apenas de obras de restauração, mas também de ações integradas nas áreas de educação, saúde e segurança pública. Para ele, a situação reflete problemas sociais enfrentados na região central de Manaus.
“A questão fundamental é sempre a mesma: a educação da população. E hoje, atualmente, nós temos esses problemas da questão da dependência química, da marginalidade, uma série de coisas que envolveria Secretaria de Saúde, Segurança e muitas outras que precisariam trabalhar em conjunto”, explica Mesquita.
O historiador afirma ainda que o estado de conservação da Ponte Benjamin Constant reflete a situação de outros espaços do Centro Histórico da capital.
“Isso é só um exemplo da cidade. Isso é um detalhe da cidade que representa bem o que nós estamos vendo acontecer com a cidade. Então, é necessário e é urgente que haja uma relação conjunta para tentar resolver [a situação]”, finaliza o historiador.
Questionado se o órgão tem conhecimento dos atos de vandalismo e dos furtos no local e se há algum projeto recente ou previsto para a restauração da estrutura e quais medidas de fiscalização e preservação são adotadas no local, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), responsável pela gestão da ponte, não ofereceu resposta até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.

