Uma multidão vestida de azul e branco tomou conta das ruas da Ilha Tupinambarana na noite deste sábado (20) e madrugada de domingo (21) no tradicional Boi de Rua do Caprichoso. O evento reuniu torcedores de diferentes gerações em um cortejo marcado por emoção, reencontros e demonstrações de paixão pelo bumbá.
O Boi de Rua foi criado em 2001, inspirado em manifestações espontâneas dos anos 1980. A proposta partiu de João do Carmo, o Careca, então presidente do Conselho de Artes do Caprichoso. O objetivo era resgatar a tradição popular e “devolver o boi ao povo”. Desde então, o cortejo se tornou um dos momentos mais aguardados antes das apresentações oficiais do Festival de Parintins.
Morador do bairro da Francesa e integrante de uma família tradicional do Caprichoso, o parintinense Robson Valente acompanhou a passagem do cortejo em frente à própria casa, na Rua Sá Peixoto, um dos principais redutos azulados da cidade. Ele contou que a emoção do Boi de Rua se renova a cada edição.
“Todo ano é uma emoção diferente. Eu sempre falo: tenho 52 anos e são 52 anos vivendo essa emoção. Todo ano aumenta mais a paixão, mais o amor pelo Caprichoso. Aqui é Caprichoso, aqui é Sá Peixoto, aqui é o reduto azul e branco. É uma satisfação imensa. Nossa família é tradicional no Caprichoso e isso sempre será eternizado”, disse.
Às vésperas das apresentações no Bumbódromo, Robson destacou a expectativa pela disputa e o compromisso do Caprichoso com a cultura popular.
“A expectativa sempre é grande. Nosso boi sempre vem bonito. Mesmo que a gente perca, a gente sempre procura fazer o melhor espetáculo para todos os visitantes, porque o nosso boi tem compromisso com a cultura, o nosso boi tem compromisso com o Festival de Parintins. Isso é ser Caprichoso, é aprender a amar o Caprichoso”, afirmou.
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Memórias afetivas
O cortejo também foi marcado por reencontros e memórias afetivas. O manauara Marconi Barbosa, de 48 anos, voltou a Parintins após nove anos. Morador da cidade por duas décadas, ele trabalhou nos bastidores do boi-bumbá e do carnaval. Desta vez, retornou com os dois filhos para apresentar a tradição que marcou sua vida.
“Viver tudo isso aqui é trazer o passado de volta. É um presente para mim, porque vivi muita coisa aqui. Trabalhei em boi, trabalhei em carnaval, e o Boi de Rua reacendeu de novo aquele momento lá atrás. É muito satisfatório viver tudo isso de novo. Quando saí daqui eu não tinha filhos e hoje voltei com dois. Trazer a minha família é reacender uma cultura que vivi no passado, fazer meus filhos conhecerem o que é o boi-bumbá, o que é o folclore e essa tradição de viver o boi azul”, destacou Marconi.
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Durante o trajeto, o tripa oficial do Caprichoso, Edson Azevedo Jr, disse que o festejo é uma forma de presentear a nação azul e branca antes do Festival Folclórico de Parintins.
“O Boi de Rua é sensacional. Essa galera passa para nos desejar uma força incrível que nos dá força, nos dá coragem para chegar no Bumbódromo e representar essa galera que tanto faz pelo boi Caprichoso”, afirmou.
Cortejo
A concentração dos brincantes ocorreu às 20h, na Avenida Senador José Esteves e a saída do Boi de Rua partiu da rua Sá Peixoto. De lá, o público acompanhou o ritmo cadenciado da Marujada de Guerra, transformando as ruas da cidade em um verdadeiro bumbódromo a céu aberto.
Os dois trajetos se encontraram na Avenida Amazonas e seguiram pela Rua Cordovil, até chegar à Avenida Nações Unidas, onde torcedores e itens oficiais celebraram mais uma edição do Boi de Rua e aqueceram os tambores para a disputa do Festival de Parintins 2026.
Crianças nos ombros dos pais, famílias inteiras e torcedores vindos de diferentes cidades acompanharam o cortejo até o fim, em uma demonstração de que o Boi de Rua segue sendo mais do que uma preparação para o festival: é a celebração da identidade azulada e da forte ligação entre o Caprichoso e seu povo.
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