A fumaça provocada pelas queimadas continua encobrindo Manaus nesta quarta-feira (14) e mantém a qualidade do ar em níveis preocupantes. A situação levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).
Pelo sétimo dia consecutivo, a capital amazonense aparece como a cidade com a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir. Por volta das 8h, o índice chegou a 132, classificado como “não saudável para grupos sensíveis”.
Os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA, também apontaram concentração elevada de partículas poluentes em diferentes áreas da capital. Os registros variavam entre as categorias “ruim” e “péssimo”.
O pior índice foi registrado no bairro Morro da Liberdade, onde a concentração de partículas chegou a 165,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
Pelo sistema Selva, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse limite, os níveis são classificados em categorias que vão de moderada a péssimo.
Na terça-feira (13), Manaus havia registrado uma melhora pontual na qualidade do ar após chuvas atingirem bairros das zonas Oeste e Centro-Oeste durante a madrugada. Apesar disso, a capital permaneceu na liderança do ranking nacional de poluição.
Fumaça provoca suspensão de aulas
A Prefeitura de Manaus anunciou, na terça-feira (13), a retomada das aulas presenciais da rede municipal para esta quarta-feira (14). No entanto, diante da persistência dos índices críticos de poluição atmosférica, a gestão municipal voltou atrás e manteve a suspensão das atividades presenciais.
A medida tem como objetivo proteger a saúde de estudantes e profissionais da educação enquanto a fumaça das queimadas continua afetando a qualidade do ar na capital amazonense.
A suspensão também foi adotada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que interrompeu as atividades acadêmicas presenciais em suas unidades de Manaus, e pelo Instituto Federal do Amazonas (Ifam), no campus Manaus Zona Leste. Nas duas instituições, as atividades passaram a ser realizadas de forma remota.
Qualidade do ar também preocupa no interior
Municípios da Região Metropolitana de Manaus e outras cidades do Amazonas também registraram concentrações elevadas de partículas poluentes nesta quarta-feira (14), conforme dados do Selva.
Em Manaquiri, o índice chegou a 284,3 µg/m³, o maior entre os municípios citados. Em Maués, a concentração alcançou 215 µg/m³, nível classificado como “péssimo”.
Autazes registrou 176,7 µg/m³, enquanto Urucurituba apresentou 157,9 µg/m³. Os números indicam que a poluição atmosférica não está restrita à capital e também afeta moradores de outras regiões do estado.
Amazonas registra aumento de incêndios
A permanência da fumaça ocorre em meio ao avanço das queimadas no Amazonas. Nos primeiros 14 dias de outubro, o estado contabilizou cerca de 1,6 mil focos de incêndio, alta superior a 270% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registrados 473 focos.
Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Ibama intensifica fiscalização e combate ao fogo
Diante do avanço das queimadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que notificou previamente 725 propriedades rurais sobre o alto risco de propagação do fogo. Equipes realizam vistorias para verificar o cumprimento das medidas preventivas, e parte dos responsáveis já foi autuada por descumprir as determinações.
A força-tarefa federal concentra as ações em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara, apontados como áreas críticas. Segundo os órgãos envolvidos, os incêndios nessas regiões contribuem para a fumaça que chega a Manaus.
Na terça-feira (13), o Ibama informou que havia extinguido 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro e que as equipes continuavam combatendo outros oito focos ativos.
Para reforçar a operação, foram mobilizadas 11 aeronaves, incluindo aviões de combate ao fogo, helicópteros e aeronaves de apoio logístico. As ações buscam conter a propagação das chamas e reduzir os impactos das queimadas sobre o meio ambiente e a saúde da população.

