Os ônibus do transporte coletivo de Manaus voltaram a operar com 100% da frota por volta das 15h30 desta terça-feira (22), segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). O serviço havia sido parcialmente interrompido desde o fim da manhã, após uma paralisação realizada por rodoviários em diferentes pontos da cidade.
A paralisação começou por volta das 10h40 e ocorreu de forma independente, conforme o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM). Segundo relatos, os trabalhadores protestaram contra o atraso no pagamento dos salários, que deveria ter sido efetuado até o dia 20 deste mês.
O Sinetram não informou se a reivindicação dos trabalhadores foi atendida nem explicou o motivo do retorno da circulação dos ônibus.
Durante a paralisação, parte das linhas continuou operando, mas com a frota reduzida. Passageiros relataram longos períodos de espera em terminais e pontos de ônibus de diferentes regiões da capital.
No Terminal 3, na Zona Norte, a passageira Ana Cristina contou que chegou ao local por volta das 10h30, depois de sair de um estágio no Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo. Ela seguia para outro estágio quando foi surpreendida pela interrupção do serviço.
“Cheguei aqui 10h30 e nada de ônibus. Estou vindo do meu estágio no Platão Araújo, estava indo para o meu outro estágio e houve essa paralisação. Já vai me prejudicar. Agora vou ter que pegar essas informações para passar para a minha orientadora. Vou ter que aguardar eles retornarem”, relatou.
Também no Terminal 3, Maria do Socorro disse que aguardava havia cerca de duas horas por um ônibus da linha 415 para chegar ao trabalho, na Praça 14.
“Foi muito assim, sigiloso, não avisaram nada, deixou todo mundo assim. Só parado?”, questionou.
A estudante Angélica também relatou dificuldades para voltar para casa.
“Vai atrapalhar porque eu tenho as minhas coisas para fazer. Estava indo para casa agora e não tem ônibus. Vou esperar para ver se vai normalizar. Ruim ficar aqui nesse sol quente”, afirmou.
No bairro Aleixo, na Zona Centro-Sul, a estudante Ellen Christine, de 18 anos, contou que esperava havia cerca de uma hora e meia pelo ônibus da linha 519.
“O ônibus estava a quatro minutos, a dois minutos e aí aumentou para 51. A gente está uma hora aqui esperando”, disse.
Ela também reclamou da falta de informações sobre a paralisação.
“A gente está uma hora e meia aqui esperando nesse calor absurdo e que não tem condições porque não foi avisado nem no aplicativo do ônibus”, afirmou.
Paralisação
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), o movimento foi realizado por iniciativa dos próprios trabalhadores e não contou com a participação da entidade.
O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informou que acompanha a situação e que a paralisação não havia sido comunicada previamente pelo sindicato.
Segundo a Prefeitura de Manaus, o município mantém diálogo com representantes das empresas e dos trabalhadores para tentar solucionar o impasse.
Ainda conforme a prefeitura, o Sinetram atribui as dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas aos atrasos nos repasses do Governo do Amazonas referentes ao Passe Livre Estudantil da rede estadual.
A gestão municipal afirmou que mantém o benefício para estudantes da rede municipal. Já a participação do Governo do Amazonas no custeio do transporte de alunos da rede estadual é discutida na Justiça.

