O Corinthians registrou um déficit de R$ 246 milhões no primeiro semestre de 2026, conforme o balanço financeiro divulgado pelo clube. Este resultado negativo é significativamente maior que os R$ 138 milhões que a diretoria havia projetado para o período.
No mesmo período de 2025, o déficit havia sido de R$ 55,2 milhões. A dívida total do Timão, por sua vez, segue na casa dos R$ 2,8 bilhões, representando um contínuo desafio financeiro para a gestão.
Como justificativa para o aumento do déficit, o Corinthians citou itens não recorrentes. Entre eles, o pagamento de R$ 32,5 milhões em premiação pela conquista da Copa do Brasil de 2025 ao elenco, processado em janeiro deste ano, e tributos de R$ 6 milhões sobre a remessa internacional para quitar uma dívida com o Santos Laguna, do México, pela aquisição do zagueiro Félix Torres.
Impacto na venda de atletas e receitas
O clube também informou que o orçamento previa a arrecadação de R$ 75 milhões líquidos com a negociação de direitos federativos de atletas na primeira janela de transferências. No entanto, o Corinthians optou por postergar essas operações.
A decisão foi tomada em razão da priorização do desempenho esportivo na Copa Libertadores e da estratégia de valorização dos ativos. No documento, o clube reforçou a expectativa de embolsar 25 milhões de euros (equivalente a R$ 149 milhões) líquidos com a venda de jogadores no meio do ano. A janela de transferências dos principais centros europeus se encerra nesta terça-feira (1º).
Entre as principais fontes de receitas do Corinthians no primeiro semestre, destacam-se os direitos de TV, que somaram R$ 124,9 milhões. Os patrocínios contribuíram com R$ 141,8 milhões e as receitas da marca e outras fontes adicionaram R$ 78,5 milhões. Os três valores superaram as projeções orçamentárias do clube.
Despesas e resultado operacional
Em relação aos gastos, a despesa com pessoal, que inclui salários, encargos trabalhistas, direitos de imagem e premiações, continua elevada, totalizando R$ 283,9 milhões. O valor orçado para esta categoria era de R$ 244,7 milhões, e no mesmo período de 2025, o gasto foi de R$ 251,8 milhões.
A receita com cessão e empréstimo de direitos de atletas foi de R$ 10,4 milhões, resultando em um valor líquido de R$ 2,9 milhões para o Timão após os gastos nas transações. A receita operacional bruta do Corinthians alcançou R$ 415,3 milhões, com um valor líquido de R$ 394,2 milhões. O total de custos e despesas operacionais foi de R$ 389,3 milhões.
O EBITDA recorrente (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi positivo em R$ 4,866 milhões, indicando uma capacidade de geração de caixa operacional antes de certas deduções financeiras e contábeis

