A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (14), a segunda fase da Operação Sem Refino, que investiga a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis, suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. Entre os alvos, estão o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e o ex-deputado estadual Bernardo Rossi (União Brasil). Veja lista:
- Cláudio Castro – (ex-governador do Rio de Janeiro)
- Bernardo Rossi – (ex-deputado estadual)
- Antonio Carlos Santos (Pipo) – (advogado)
- Luiz Fernando Gomes – (empresário da construção civil)
- José Mauro Junior – (ex-secretário de Estado de Transformação Digital no governo Castro)
- Maurício Leite – (empresário)
- Ana Carolina Miranda – (empresária)
Cláudio Castro, que governou o estado do Rio de Janeiro de maio de 2021 a março de 2026, também já foi alvo da PF na operação Compliance Zero, que investiga o Caso do Banco Master. Já Bernardo Rossi atuou como deputado estadual, foi prefeito de Petrópolis e secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade até março de 2026.
Antônio Carlos Santos fez parte da lista sêxtupla da OAB no fim de 2025 para concorrer a uma vaga como desembargador. No entanto, apenas 29 dos 142 membros do TJ-RJ o incluíram na lista tríplice, ficando em último lugar, apesar de ter sido apadrinhado por Cláudio Castro junto aos magistrados.
Luiz Fernando Gomes é empresário da construção civil, tendo assinado diversos contratos com o governo do Rio de Janeiro. Ele ainda é sócio da Engeprat.
O quinto alvo, José Mauro de Farias Junior, é ex-secretário de Estado de Transformação Digital no governo de Cláudio Castro. Ele também é apontado como sócio de mais de 20 empresas relacionadas a construção civil, corretagem de imóveis, holding de instituições não financeiras e um portal de notícias.
Os últimos dois alvos, Maurício Leite e Ana Carolina Miranda são empresários, sócios da empresa 7 Pilares Assessoria, Empreendimentos e Inovações Tecnológicas Ltda.
Operação Sem Refino
Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, a ação tem por objetivo apurar fraude na concessão de licenças ambientais para a refinaria, à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes, além de lavagem de capitais ligada ao esquema criminoso.
Outro lado
À imprensa, a defesa de Cláudio Castro negou que o ex-governador tenha participação em irregularidades envolvendo a Refit.
Segundo a nota, a defesa ainda diz desconhecer “o conteúdo integral da denúncia”.
Veja a nota na íntegra:
A defesa do ex-governador Cláudio Castro nega qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit e esclarece que o endereço alvo de buscas em Petrópolis não tem qualquer ligação com ele há meses. Atualmente, não há nenhum endereço ligado ao ex-governador na região.
A defesa ainda desconhece o conteúdo integral da denúncia e dos elementos que fundamentaram a operação e aguarda que os advogados tenham acesso aos autos para se manifestar de forma mais detalhada.
Todos os atos praticados durante sua gestão seguiram critérios técnicos, jurídicos e administrativos previstos na legislação.
A gestão Cláudio Castro foi, inclusive, a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos realizasse pagamentos de dívidas com o Estado do Rio de Janeiro, em montante próximo de R$ 1 bilhão.
Além disso, a Procuradoria Geral do Estado ingressou com diversas ações contra a empresa ao longo da gestão, demonstrando que o Estado atuou para cobrar os valores devidos e defender o interesse público.
Através de nota, Bernardo Rossi também negou irregularidades e que aguarda acesso total a investigação.
Veja a nota na íntegra:
O ex-secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade Bernardo Rossi nega qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit e afirma que toda a sua atuação à frente da pasta se deu dentro da legalidade, seguindo as orientações técnicas e jurídicas de um amplo corpo de servidores da própria secretaria e de seus órgãos vinculados.
Bernardo Rossi confia na Justiça e aguarda o acesso integral aos elementos da investigação para que os fatos possam ser devidamente esclarecidos. Reitera que sempre pautou suas decisões administrativas pelos critérios técnicos e legais aplicáveis à gestão pública.
O ex-secretário repudia qualquer tentativa de associar seu nome a irregularidades e considera especialmente grave a utilização de acusações dessa natureza em pleno período eleitoral.
Até a última atualização desta reportagem, a defesa dos demais alvos não ofereceu retorno. O espaço segue aberto.

