Dados da Fenabrave (Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores) divulgados nesta quinta-feira (2) mostram um avanço nos emplacamentos de veículos em 2026, com variação positiva de 196,29% no acumulado até junho em relação ao ano anterior.
No primeiro semestre de 2025, foram 30.534 emplacamentos de veículos elétricos “puros”, contra 90.470 no mesmo período em 2026 – alta de 59.936 emplacamentos.
Arcelio Junior, presidente da Fenabrave, disse à imprensa que, apesar da alta no segmento de totalmente elétricos, as atenções também se voltam para os híbridos. O segmento já tinha uma base robusta, com 154.472 emplacamentos no primeiro semestre deste ano, e 83.468 em 2025, variando positivamente em 85,07%.
Sobre os incentivos para a alta, Arcelio Junior destaca a participação de programas federais, como o Move Brasil Táxi e Aplicativos. “Com certeza [os programas] incentivam a venda desses modelos [eletrificados] em até R$ 150 mil, que é uma das exigências do programa”, destacou o presidente.
A Fenabrave projeta alta de 8,8% no segmento de autos e comuns leves, para 2,77 milhões de emplacamentos em 2026. No primeiro semestre, a alta foi de 33,82% em relação ao ano passado, com mais de 1 milhão de emplacamentos.
A economista da Fenabrave, Tereza Fernandez, pontua a facilidade do eletrificado pequeno no uso de tomadas residenciais de 220 volts para o carregamento. “Por isso, o consumo de energia adicional é menor”, ela diz.
Em contraponto, Fernandez destaca o crescimento do preço da energia elétrica no Brasil, dada a sazonalidade das chuvas, assim como a dificuldade de regular a transmissão no país.
“Mas isso é histórico no Brasil, e não tem a ver apenas com carro elétrico. Vamos monitorar se o próximo ministro de Minas e Energia vai apontar para investimentos em novas linhas de transmissão”, comentou a economista.
Queda no segmento de caminhões
Mesmo com variação positiva de 14,87% no primeiro semestre de 2026, com pouco mais de 48 mil emplacamentos, o setor de caminhões enfrenta queda comparativa a 2025 de 9,39%.
O presidente da Fenabrave explica que a queda decorre mesmo com o programa Move Brasil para renovação de frotas dado o tempo de registro dos emplacamentos após a aquisição do benefício.
“O Move Brasil caminhões começou há um mês e ainda está em andamento e chegando em um momento até de proximidade do fim dos recursos, mas existe um delay, um tempo, entre a compra do caminhão e a realização do emplacamento”, explica o presidente da federação.
“Então nós veremos nas próximas semanas um aumento desse emplacamento em função do Move Brasil 2, porque o que o consumidor vai na concessionária, fecha o negócio, efetua o cadastro e aguarda algum período até o caminhão chegar na concessionária, emitir sua nota fiscal e ser emplacado.”
Para a economista Tereza Fernandez, a queda surpreende negativamente.
“É o problema da agricultura, que hoje representa o ‘grosso’ da venda de caminhões, pesados e extrapesado, que atendem a esse pessoal, então a renovação de frota tinha acontecida uns dois anos antes, e o pessoal está se retraindo porque está sem caixa mesmo”, ela explica.
A economista revisa para baixo as projeções para 2026, com queda de 7,8%, totalizando 102.245 emplacamentos de caminhões, “pois infelizmente não vai dar tempo de recuperar, já que o segundo semestre, do ponto de vista da economia tende a desacelerar. Não tem como em época de campanha lançar programa novo”, ponderou Fernandez.


