O senador e candidato ao governo estadual, Omar Aziz (PSD), defendeu a exploração de ouro no Amazonas como uma alternativa econômica para os municípios da calha do rio Madeira, que hoje tem maior vocação para exportação de borracha e melancia. A fala ocorreu durante um encontro com dirigentes e representantes de categorias na Associação Comercial do Amazonas (ACA) nesta terça-feira (18), quando o candidato ao governo estadual foi questionado sobre o desenvolvimento do interior após a reforma tributária.
Segundo o parlamentar, ao se discutir o interior, não há uma solução única, já que cada região do Amazonas teria uma vocação específica. No caso da calha do rio Madeira, Omar Aziz defendeu avançar na discussão da exploração do ouro, o qual não seria ilegal, mas “está irregular da forma como está sendo feito”.
“Tem pessoas minhas com os garimpeiros, são 5,6 mil balsas de Nova Olinda do Norte até Humaitá. Quando a Polícia Federal e explodiu, eu tive uma reunião com o diretor-geral e ele veio falar de narcotráfico. Eu falei: cadê o narcotraficante? Até agora não me apresentaram. Eles botaram fogo em balsa de gente pobre, que morava com filho, com mulher lá dentro”, disse.
Omar Aziz ressaltou que não nega que exista a presença do narcotráfico no garimpo, mas que essa atuação ocorre porque a atividade é ilegalizada. Caso bancos públicos como a Caixa Econômica Federal comprasse o ouro, não haveria ilegalidade. O candidato defendeu que, no caso do Amazonas, haveria uma alternativa ao mercúrio, usado para separar o ouro de outros minerais e que é extremamente tóxico para o meio ambiente.
“O governo é omisso com os ‘pseudoambientalistas’ que acham que entendem de Amazônia, mas não moram aqui e não conhecem a nossa região. Hoje, por exemplo, para separar o ferro do ouro, usam o mercúrio, que é poluente. Quando você usa uma planta que temos aqui, e tem muito no rio Madeira, chamada pau-de-balsa, ela tem o mesmo efeito para separar o ouro do ferro”, frisou.
O senador lembrou ainda a presença de terras raras e dos ingredientes utilizados na fabricação de fertilizantes, que poderia tornar o Amazonas o maior produtor do item no mundo, especialmente desde o início das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Integração
No evento, Omar Aziz propôs ainda, caso retorne ao governo estadual, a criação de uma empresa de aviação para integrar o Amazonas no âmbito da logística, visto que as antigas companhas como MAP e Manaus Aero Táxi “se acabaram” e empresas privadas cobram valores altíssimos para passagem.
“Nós temos uma região que, se a gente tivesse um mínimo de logística, não estaríamos isolados, mas estamos isolados, dependendo de uma aviação regional. E não é o governo [que vai resolver], porque ele é competente para gerenciar qualquer empresa. Ele é competente para formular políticas públicas, mas para gerenciar não, tem que colocar profissionais”, disse.
Segundo o parlamentar, a empresa poderá ser criada a partir de um fundo que atenda a região, atendendo não só a logística, mas também o turismo. O candidato prometeu ainda a construção de seis novos aeroportos em municípios que ficam isolados com a seca: Anamã, Amaturá, Guajará, Jutaí, Maraã e Tonantins, além da reforma do atual aeroporto de Pauini e refazer o aeroporto de Urucará, que “não existe mais”.
Acordo
O senador propôs ainda um pacto com o setor comercial para ampliar o acesso ao crédito, reduzir a burocracia e preparar empresas para as mudanças provocadas pela reforma tributária, incluindo as novas regras de créditos tributários ao longo da cadeia.
Presente no evento, o ex-superintendente da Zona Franca de Manaus, Thomaz Nogueira, lembrou que um dos benefícios da reforma para o comércio foi a inclusão de uma redução de 50% na tributação da importação de produtos. O fato foi lembrado pelo ex-secretário Afonso Lobo, que também trabalhou junto a Nogueira na parte técnica da elaboração da reforma.
Para o presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, a presença do senador junto ao setor do comércio é de “extrema importância”, pois ele “acaba falando sobre seus projetos e também ouvindo as demandas e o anseio desses empresários e da própria sociedade civil”. Segundo ele, todos os candidatos ao governo e ao Senado foram convidados para participar dos encontros na associação.
“A gente está ouvindo tanto candidatos a senador quanto candidatos a governador do estado. Na próxima quarta-feira, estamos aguardando o ex-governador Wilson Lima, que vem como candidato ao Senado”, disse.
Na semana passada, a ACA também recebeu a candidata ao governo Maria do Carmo (PL), que defendeu na ocasião a construção de uma via expressa de 27 quilômetros entre o Porto da Ceasa e a região da Ponta Negra, além de dividir o estado em polos regionais para descentralizar os serviços e diminuir a necessidade de deslocamento de moradores do interior para a capital.

