Um forte incêndio voltou a atingir, nesta sexta-feira (2), uma área de vegetação às margens da rodovia AM-070, no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. As chamas voltaram a ganhar intensidade dois dias após o início do incêndio e um dia depois de o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informar que a ocorrência estava 80% controlada.
Imagens registradas por moradores de Manaus e compartilhadas nas redes sociais mostram grandes labaredas na região. O incêndio também pôde ser visto de pontos da capital, às margens do Rio Negro.
A fumaça provocada pelas queimadas também afetou a qualidade do ar em áreas de Manaus. Segundo dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), até as 20h desta sexta, o Centro da capital apresentava a pior situação entre os pontos monitorados, com concentração de partículas de 61,3 µg/m³, índice classificado como ruim.
Em Iranduba, a qualidade do ar era considerada moderada, com concentração de 31,1 µg/m³. Segundo os parâmetros utilizados pelo sistema, a qualidade do ar é classificada como boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³.
O retorno das chamas mobilizou novamente equipes de combate e fiscalização ambiental. Segundo o coronel do CBMAM Orleilson Muniz, policiais militares, policiais civis, agentes da Polícia Ambiental e servidores do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também foram acionados para auxiliar na identificação das possíveis causas e dos responsáveis pelo incêndio.
A analista ambiental do Ipaam Liliane Munhoz explicou que os trabalhos de fiscalização incluem uma varredura na região, com apoio de imagens aéreas e de pontos previamente identificados. O objetivo é localizar propriedades e verificar quais terrenos foram atingidos pelo fogo.
Uso do fogo está proibido durante emergência climática
De acordo com o Ipaam, o uso do fogo está proibido no Amazonas durante o período de emergência climática. A medida busca evitar que queimadas controladas ou pequenas áreas de fogo saiam do controle e provoquem incêndios de grandes proporções.
“Então, o uso do fogo é proibido, por mínimo que seja, e o uso de maneira inadequada pode se tornar de maneira descontrolada, como é o caso que possivelmente aconteceu aqui, e a perda de controle causar essa queimada de grandes proporções”, afirmou Liliane Munhoz.
A fiscalização deve apontar os responsáveis pelas áreas atingidas e, a partir das informações levantadas, poderão ser adotadas medidas administrativas.
O comandante do CBMAM afirmou que as equipes devem permanecer na região até que todos os focos sejam controlados. Segundo Orleilson Muniz, a maior parte dos incêndios registrados no Amazonas tem origem humana.
“Afirmo que quase a totalidade desses incêndios têm causa humana. Portanto, estamos vivendo os efeitos mais gravosos do El Niño e nesse sentido é muito importante que nós não façamos fogo em hipótese alguma”, disse.
Muniz também fez um alerta para o período de estiagem e pediu que a população evite qualquer uso de fogo durante os meses de maior risco de incêndios.
“Vamos continuar aqui até fazer o controle total. Nós precisamos, nesse período do ano que ainda estaremos sobre os efeitos do El Niño, até meados de dezembro, não atear fogo em hipótese alguma. E a população tem uma parcela muito importante nesse sentido”, orientou.
Incêndios atingem Cacau Pirêra há pelo menos uma semana
O incêndio desta sexta ocorre poucos dias depois de outro grande fogo atingir a região de Cacau Pirêra. Na sexta-feira (25), aproximadamente 700 hectares de vegetação foram destruídos pelas chamas.
Na ocasião, o combate mobilizou 35 bombeiros e 15 viaturas, além do uso de mais de 150 mil litros de água.
Até o momento, os bombeiros não informaram se o incêndio registrado no dia 25 tem relação com os focos que atingiram a região nesta semana.
Durante a análise da área atingida pelo incêndio anterior, equipes do CBMAM encontraram árvores que apresentavam sinais de terem sido cortadas antes de serem atingidas pelo fogo.
Segundo o coronel Orleilson Muniz, a vegetação teria sido cortada e deixada no local até secar. A situação levantou a suspeita de que o fogo tenha sido provocado de maneira intencional.
“Uma das coisas que chamou a atenção foi exatamente isso: todas as árvores queimadas apresentavam essa característica, elas foram previamente cortadas. Então é possível a gente observar que elas foram devidamente cortadas, foi esperado secar a vegetação cortada e a partir daí surgiu o incêndio. Isso nos leva a crer que o incêndio foi completamente intencional e criminoso”, afirmou o comandante na ocasião.
As circunstâncias dos novos focos registrados nesta semana ainda são investigadas pelos órgãos de segurança e fiscalização ambiental.
Mais de 17 mil focos foram combatidos no Amazonas
O aumento dos incêndios ocorre em meio ao período de estiagem no Amazonas, quando a vegetação fica mais seca e o risco de propagação das chamas aumenta.
Segundo dados do CBMAM, entre 1º de junho e 30 de setembro, foram combatidos 17.178 focos de incêndios urbanos e florestais em todo o estado. Desse total, 3.798 ocorreram em Manaus e outros 13.380 no interior.
Cerca de mil servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, atuam nas ações de prevenção e combate aos incêndios.
A corporação também informou que ampliou a presença no interior do estado. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes do CBMAM passou de 11 para 25.
O efetivo da corporação também cresceu nos últimos anos. Segundo o CBMAM, o número de militares passou de 692, em 2019, para 1.651 em 2026, após a realização de concurso público.
Em maio deste ano, o governo estadual iniciou a operação Amazonas+Verde, voltada ao combate a incêndios florestais, enfrentamento a crimes ambientais, ações de educação ambiental e ampliação da capacidade de resposta das equipes.
Entre junho e agosto, as atividades de educação ambiental realizadas no âmbito da operação alcançaram mais de 43 mil pessoas. O combate aos incêndios ocorre de forma imediata em 33 municípios do estado.
No lançamento da operação, também foram entregues 20 novas viaturas, sendo 17 picapes equipadas com kits para combate a incêndios, além de 453 equipamentos destinados às equipes que atuam nas ocorrências.

