A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18) aos 91 anos. A informação foi confirmada à imprensa pela assessoria da artista, que disse que ela faleceu em casa.
Considerada primeira dama da TV, Glória Menezes foi pioneira ao protagonizar uma novela diária na televisão brasileira e viveu personagens icônicas desde que estreou como atriz no final da década de 1950.
Glória Menezes se dedicou à atuação pela maior parte de sua vida. Ela era aluna da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) quando fundou o grupo teatral Jovens Independentes e optou por abandonar os estudos para mergulhar na companhia.
A atriz vetarana tornou-se presença constante na televisão brasileira e acumulou trabalhos em mais de 40 novelas, além de minisséries e seriados.
Relembre trajetória da atriz
Aos cinco anos de idade, Glória Menezes atuou dentro de um navio. Sem que a família soubesse, ela tinha sido levada para os ensaios diários de um grupo de artistas argentinos que viajavam junto com a família dela. A mãe só soube quando viu a filha em cima do palco.
“Mamãe me deixava na cabine para ir almoçar e eles abriam a porta e me pegavam. Fizeram um vestido de papel crepom pra mim e ensaiavam comigo”, relembrou Glória em entrevista ao programa Persona em Foco, em agosto de 2019.
“Quando chegou no dia da apresentação, me botaram no palco e não falaram nada para mamãe. De repente, começaram as apresentações e lá vem a Glorinha Menezes ‘pererecando’”, continuou. “Mamãe bateu o olho: ‘Mas o que é isso? Que um absurdo. Ela me tirou do palco, parou tudo, mas falaram assim [para ela]: ‘Olha, a senhora não vai poder fazer nada porque sua filha vai terminar em cima do palco’. Não deu outra”.
Aquela foi a primeira, mas não a última experiência dela como atriz, que, coincidência ou não, cumpriu o que a artista argentina tinha vislumbrado: Glória Menezes viveria da atuação.
Considerada primeira dama da TV, Glória Menezes foi pioneira ao protagonizar uma novela diária na televisão brasileira e viveu personagens icônicas desde que estreou como atriz no final da década de 1950.
Glória Menezes se dedicou à atuação pela maior parte de sua vida. Ela era aluna da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) quando fundou o grupo teatral Jovens Independentes e optou por abandonar os estudos para mergulhar na companhia.
A escolha deu resultados positivos e início a uma série de eventos que conduziram toda a carreira dela. No final da década de 1950, ela estrelou a primeira peça do grupo, foi premiada como Atriz Revelação em um festival de teatro amador e chamada para atuar na primeira novela – pela qual recebeu o Troféu Imprensa.
Desde então, Glória Menezes tornou-se presença constante na televisão brasileira e acumulou trabalhos em mais de 40 novelas, além de minisséries e seriados.
A estreia nos cinemas também rendeu prêmio para o currículo da atriz. Ela integrou o elenco de “O Pagador de Promessas” (1962), que levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Ao todo, Glória Menezes atuou em sete longas.
Entre o teatro e a TV
A carreira de Glória Menezes estava no início quando ela fez a estreia na TV. O primeiro trabalho foi em “Um Lugar ao Sol” (1959), na TV Tupi, na qual contracenou com Laura Cardoso, de quem se tornou grande amiga.
No ano seguinte da estreia na televisão, Glória Menezes estava de volta sob as luzes do teatro. Protagonista de “As Feiticeiras de Salém” (1960), de Antunes Filho, ela foi premiada com o Prêmio APCA na categoria Atriz Revelação.
Questionada se os prêmios e a fama a fizeram mudar muito, Glória Menezes nega e gesticula para mostrar a distância que havia entre ela e o risco de se deixar levar pelo sucesso. “Ele estava lá e eu estava aqui”, analisou ela, na entrevista ao programa da TV Cultura. “Eu não estava trabalhando para fazer sucesso, eu queria trabalhar”, acrescentou.
Versátil para viver heroínas e vilãs, a atriz fez história na TV na pele de mocinhas como Ana Preta, em “Pai Herói” (1979), e Doña Sol, de “Sangue e Areia (1967)” e antagonistas de peso como a socialite assassina Laurinha Figueroa, em “Rainha da Sucata” (1990).
No currículo de telenovelas, Glória Menezes ainda inclui “Cavalo de Aço” (1973), “Corpo a Corpo (1984), “Deus nos Acuda” (1992), “A Próxima Vítima” (1995), “Torre de Babel” (1998), “Porto dos Milagres” (2001), “Beijo do Vampiro” (2002), “Senhora do Destino” (2004), “Páginas da Vida” (2006), “A Favorita” (2008) e mais.
A última novela foi “Totalmente Demais” (2015), na qual interpretou a madame Stelinha, que ela definiu como uma mulher rica de “futilidade saudável” ao falar ao GShow.
O último trabalho na TV foi sendo contracenando como ela mesma em um episódio da série “Tá no Ar: a TV na TV” (2018).
Relacionamento com Tarcísio
Foi entre uma novela e uma peça no teatro que Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram e iniciaram o relacionamento de quase seis décadas que transformou o casal em ícone da televisão.
No início da década de 1960, eles ensaiavam peças diferentes no Teatro Maria Della Costa, quando trocaram olhares pela primeira vez. “Eu estava ensaiando, Glória passou e eu pensei: ‘puxa, que mulher bacana’. Me encantei”, relembrou Tarcísio em entrevista ao Programa do Jô, em 2009.
Depois, os dois acabaram atuando juntos e fizeram um casal no teleteatro “Uma Pires Camargo” (1961), da TV Tupi. Na época, Glória era casada, mas estava em processo de separação e eles começaram a se relacionar em segredo.
Já casados, eles fizeram par romântico novamente em “2-5499 Ocupado” (1963), a primeira telenovela diária na TV brasileira. Ela vivia uma presidiária que trabalhava como telefonista da prisão, ele apaixonava-se ao ouvir a voz dela.
A química do casal deu certo e agradou aos telespectadores. Por isso, eles voltaram a contracenar juntos em várias produções, incluindo a novelas “Irmãos Coragem” (1970), “Sangue e Areia” (1968), “Cavalo de Aço” (1973), “O Semideus” (1973), além da série “Tarcísio & Glória”. que tinha uma trama curiosa e longe de ser autobiográfica, embora levasse os nomes do casal de atores.
No cinema, o casal mais duradouro da TV contracenou junto em “Máscara da Traição” (1969), “Independência ou Morte” (1972) e “O Caçador de Esmeraldas” (1979).
Família
Nascida em Pelotas (Rio Grande do Sul), em 19 de outubro de 1934, ela foi registrada como Nilcedes Soares de Magalhães – resultado da junção dos nomes dos pais, Nilo e Mercedes.
“Quando começamos no teatro amador em São Paulo, eu tive que mudar meu nome, porque Nilcedes não era um nome, era uma coisa – e mamãe que não me escute, coitadinha”, brincou ela em depoimento ao site Memória Globo.
A mudança, então, foi natural e levou em conta a numerologia. “Resolvemos botar Glória, porque Glória é Glória em qualquer idioma. E Menezes, por causa das minhas raízes portuguesas e porque completa 13 letras, e dá sorte”, explicou.
Glória se mudou para São Paulo aos seis anos e dizia se considerar paulista de coração. “Vim menina para cá, aqui me criei e fiz minha família, me casei e tive filhos”, declarou ela no Persona em Foco.
Ela deixa o marido, Tarcísio, e os três filhos: João Paulo e Maria Amélia, do primeiro casamento, e Tarcísio Filho, do longínquo casamento com o ator.

