Treze aeronaves mobilizadas pelo governo federal lançaram mais de 1,1 milhão de litros de água sobre áreas atingidas por incêndios florestais no Amazonas desde 10 de outubro. Até esta quarta-feira (21), a operação havia acumulado 390,5 horas de voo e 369 lançamentos de água, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
O número de aeronaves deve subir para 16 nos próximos dias, conforme anunciado pelo governo federal. A operação reúne aviões utilizados diretamente no combate às chamas e helicópteros responsáveis pelo transporte de brigadistas, equipes técnicas e equipamentos para regiões de difícil acesso.
As ações integram a força-tarefa federal mobilizada para conter os incêndios no estado. Além do combate aéreo, o governo ampliou a fiscalização ambiental e as investigações para identificar possíveis responsáveis pelos focos de fogo.
Aeronaves utilizadas no combate às queimadas
Entre as aeronaves empregadas na operação estão seis aviões Air Tractor, dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) e helicópteros utilizados no transporte de brigadistas, equipes técnicas e equipamentos. A operação também conta com aeronaves da Marinha e do Exército.
O total informado pelo governo federal era de 13 aeronaves até quarta-feira (21). A previsão é ampliar esse número para 16 nos próximos dias, com a incorporação de novos helicópteros para reforçar o transporte de equipes e as diligências e perícias relacionadas aos incêndios.
Os helicópteros também desempenham papel importante no enfrentamento aos incêndios, principalmente no deslocamento de brigadistas, equipamentos e equipes que precisam chegar a locais onde o acesso por terra é limitado.
A Marinha participa da operação com três helicópteros, utilizados em missões de transporte e apoio logístico. O Exército, por sua vez, emprega uma aeronave para levar equipes e equipamentos às áreas de atuação.
Para reforçar as diligências e perícias relacionadas aos incêndios, também foi enviado ao Amazonas um helicóptero Bell 412. Uma aeronave da família Esquilo deve integrar as atividades, ampliando a capacidade de deslocamento das equipes responsáveis pelas investigações em campo.
As aeronaves operam em diferentes pontos do estado, com apoio de aeroportos em Manaus e Itacoatiara. Na cidade do interior, o aeroporto funciona como base de suporte, permitindo o abastecimento dos aviões com combustível e água transportada por caminhões-pipa.
As condições climáticas, no entanto, podem comprometer as operações. No sábado (17), a fumaça das queimadas reduziu a visibilidade e impediu voos nos dois aeroportos utilizados pelas equipes em Manaus até as 14h, segundo informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
MPC questiona aluguel de aeronave pelo governo estadual
Enquanto o governo federal amplia a estrutura de combate às queimadas, o emprego de uma aeronave pelo governo do Amazonas foi questionado pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM).
Em 10 de outubro, o órgão pediu esclarecimentos sobre os R$ 2,1 milhões destinados ao aluguel de um avião do modelo Thrush S2R-510. A aeronave tem capacidade para lançar pouco menos de 2 mil litros de água por operação, volume considerado inadequado pelo órgão diante das necessidades do combate aos incêndios.
O MPC-AM estabeleceu prazo de dez dias para que a Defesa Civil estadual apresentasse justificativas sobre a contratação.
A reportagem questionou a Defesa Civil sobre a continuidade do uso da aeronave, o número total de aviões disponibilizados pelo governo estadual e o eventual envio de esclarecimentos ao Ministério Público de Contas. Até a publicação, não houve resposta.
Governo federal amplia ações de combate aos incêndios
No domingo (18), o governo federal anunciou, em Manaus, novas medidas para reforçar o enfrentamento aos incêndios florestais no Amazonas.
Entre as iniciativas está a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas na capital, responsável pela coordenação das operações militares. Também foi implantada, na terça-feira (20), uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o atendimento à população afetada.
O governo anunciou ainda a ampliação do apoio financeiro ao estado e aos municípios, além da mobilização de órgãos de segurança para investigar possíveis crimes ambientais relacionados às queimadas.
Amazonas registra queda nos focos de calor
Entre os dias 12 e 18 de outubro, o Amazonas contabilizou 548 focos de calor, 470 a menos do que na semana anterior. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Itacoatiara liderou os registros no período, com 59 focos. Na sequência, aparecem Autazes, com 46, e Boa Vista do Ramos, com 39.
Apesar da redução, o cenário mantém a necessidade de ações de prevenção e combate aos incêndios, especialmente em áreas de difícil acesso e regiões afetadas pela fumaça.
Uso do fogo está proibido durante emergência
O uso do fogo está proibido no Amazonas durante a vigência do decreto estadual de emergência, independentemente da finalidade. O descumprimento da medida pode resultar em responsabilização dos envolvidos.
A legislação brasileira também estabelece restrições ao uso do fogo na vegetação devido aos riscos de propagação de incêndios, destruição de áreas naturais, degradação do solo e poluição do ar.
O Código Florestal, instituído pela Lei nº 12.651/2012, restringe o uso do fogo na vegetação, com exceções previstas na legislação. Já a Lei nº 14.944/2024 instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que estabelece diretrizes para a prevenção e o combate aos incêndios e para o uso controlado do fogo.

