A piscicultura brasileira quer ampliar presença no mercado internacional com a expansão das exportações de filés congelados de tilápia.
O Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais de tilápia e ultrapassou, em 2025, a marca de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo, segundo dados citados pelo setor.
Apesar do avanço da produção, a participação brasileira nas exportações ainda é considerada pequena diante do potencial da atividade.
Segundo Francisco Medeiros, presidente da Peixe-BR (Associação Brasileira da Piscicultura),o crescimento do consumo doméstico nos últimos anos levou a indústria a concentrar esforços no mercado interno, mas ao longo deste ano as empresas começaram a direcionar maior atenção às oportunidades no exterior.
Filés congelados ampliam possibilidades de mercado
Os Estados Unidos e o Canadá estão entre os principais destinos da tilápia brasileira, especialmente na forma de filé fresco. Nesse segmento, o país conquistou espaço com a qualidade do produto, a eficiência logística e os preços competitivos.
Agora, o setor pretende avançar no comércio internacional de filés congelados, formato que pode ampliar as possibilidades de distribuição e acesso a novos compradores.
“Estamos entrando em uma nova fase, voltada ao mercado internacional de filés congelados. Temos capacidade produtiva, tecnologia e escala, mas precisamos avançar na adequação dos protocolos de produção e processamento às exigências dos diferentes compradores”, afirma Medeiros.
Entre as vantagens competitivas do Brasil estão a disponibilidade de grãos utilizados na fabricação de rações, as condições climáticas favoráveis e a experiência do agronegócio nacional na produção de proteínas animais.
De acordo com Medeiros, o Brasil já conta com frigoríficos altamente automatizados e empresas que investem na modernização das operações. O desafio é converter essa estrutura em maior participação no comércio internacional.
Apesar do potencial de crescimento, o setor ainda enfrenta alguns obstáculos, como os custos logísticos, as exigências sanitárias e a necessidade de adequação dos processos industriais às regras dos países compradores.
Medeiros também aponta a complexidade do ambiente regulatório brasileiro e os custos associados ao licenciamento como fatores que dificultam o desenvolvimento da atividade.
“A piscicultura é uma atividade relativamente jovem no Brasil e ainda passa por um processo de amadurecimento”, afirma o executivo, ao destacar a necessidade de melhorar as condições para investimentos e ganhos de eficiência.
Para a entidade, a combinação entre capacidade produtiva, tecnologia e profissionalização cria condições para ampliar a presença brasileira no mercado global. “A expansão das vendas externas, porém, dependerá também de avanços regulatórios e da adaptação às exigências dos compradores internacionais, diz.

