O Ibovespa fechou em queda e o dólar subiu no pregão desta quarta-feira (13), após o site Intercept publicar reportagem que mostra que o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, teria negociado pagamentos com o banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o Intercept, Flávio Bolsonaro negociou um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, diretamente com Vorcaro, dono do Banco Master.
Em nota, o senador diz que seu caso é de “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.
“Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, afirma Flávio.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”, acrescenta, defendendo a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o Caso Master.
A defesa de Vorcaro também foi procurada, mas não retornou.
O mercado também segue acompanhando o conflito no Oriente Médio, enquanto digere a pesquisa Genial/Quaest, mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente de Flávio na disputa presidencial de outubro.
Ao fim do dia, o Ibovespa registrou baixa de 1,8%, aos 177.098,29 pontos, com pressão negativa da Petrobras. Os papéis da estatal caminhavam para encerrar o dia em queda de mais de 2%.
Já o dólar subiu 2,27%, encerrando o dia cotado na faixa de R$ 5 pela primeira vez desde o final de abril.
Pressões inflacionárias da guerra
Após abrir perto da estabilidade, o dólar passou a exibir alta ante o real nesta com o mercado também atento à viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China.
Trump desembarcou durante a manhã na China para uma cúpula com o presidente Xi Jinping, mas indicou, antes mesmo da viagem, que não espera precisar da ajuda de Pequim para acabar com a guerra com o Irã e aliviar o controle de Teerã sobre o Estreito de Ormuz.
Os investidores mantêm preocupações sobre os efeitos da alta dos preços do petróleo na inflação – e seus reflexos em políticas monetárias no mundo -, que continuam pairando sobre os negócios, uma vez que faltam sinais de término do conflito no Oriente Médio.
Dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que o índice de preços ao produtor dos EUA registrou em abril a maior alta desde o começo de 2022, em parte devido ao aumento dos custos de energia.
O conflito está pressionando as cadeias globais de oferta, causando escassez de uma ampla gama de produtos, incluindo fertilizantes, alumínio e itens de consumo.
Cenário doméstico
No Brasil, receios sobre os efeitos do cenário geopolítico na inflação têm levado o BC (Banco Central) a adotar um tom mais cauteloso e agentes do mercado a apostarem em um ciclo mais lento de corte de juros do que o previsto no começo do ano.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira que choques de oferta observados no período recente impõem à autoridade monetária desafio especial, porque afetam a percepção sobre o trabalho da autarquia.
Estrategistas do Morgan Stanley afirmaram que continuam otimistas com ações da América Latina no longo prazo, mas destacaram que o curto prazo “exige cautela”, citando que o petróleo mais alto por mais tempo representa um risco para o afrouxamento das condições financeiras e para o crescimento econômico.
Ainda assim, reiteraram classificação overweight em Brasil.
De acordo com estrategistas do JPMorgan, o Brasil e a América Latina ainda são vistos como um relativo “porto seguro” e uma alternativa de diversificação frente a mercados emergentes com forte peso em tecnologia.
Porém, no médio prazo, eles acreditam que as ações brasileiras devem andar de lado, considerando o ritmo mais lento de afrouxamento monetário e a incerteza eleitoral.
No Brasil, além da temporada de balanços corporativos, investidores repercutiam os dados mais recentes do varejo, que mostraram o terceiro avanço mensal consecutivo,
Além disso, a pesquisa Genial/Quaest, mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de outubro.
Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 41% de Flávio. Na prática, há empate técnico, já que a margem de erro de é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 40% e Flávio somava 42%.
Em simulação de primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) estão empatados com 4%.

