A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que identificou a presença de hidrocarbonetos em poço exploratório em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial Brasileira, também conhecida como MEB.
Segundo a petroleira, o poço Morpho está localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros.
“Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
A Petrobras recebeu aval do Ibama para realizar pesquisas na Margem Equatorial em outubro do ano passado, após uma série de esclarecimentos encaminhados ao órgão ambiental.
À época, a estatal ressaltou que a exploração foca em buscar informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica. “Não há produção de petróleo nessa fase”, informou.
Mas o que é a Margem Equatorial?
A MEB é uma região que se estende do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte, composta por cinco bacias sedimentares (Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar).
A região tem características geológicas semelhantes às áreas produtoras da Guiana e do Suriname, onde foram descobertas grandes reservas nos últimos anos.
Estudos da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) indicam que o potencial total de óleo e gás na Margem Equatorial pode chegar a 30 bilhões de barris de óleo equivalente, o que a coloca entre as províncias exploratórias mais promissoras do mundo.
Para a Petrobras, o avanço na Margem Equatorial é considerado estratégico para repor reservas e manter a curva de produção nas próximas décadas.
A companhia busca equilibrar o investimento em novas fronteiras com os compromissos de descarbonização e de transição energética.
A exploração na região é acompanhada de intenso debate ambiental. Organizações civis e parte da comunidade científica alertam para riscos à biodiversidade marinha e a eventuais impactos sobre o ecossistema da foz do Amazonas, uma das áreas mais sensíveis do litoral brasileiro.
O Ibama condicionou a autorização à adoção de protocolos rigorosos de prevenção e resposta a acidentes.

