O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta quinta-feira (28) que ordenou às forças armadas de Israel que assumam o controle de 70% do território de Gaza.
Durante uma entrevista em uma conferência na Cisjordânia ocupada, Netanyahu afirmou que Israel está “reforçando” o controle sobre o Hamas. “Agora controlamos 60% do território da Faixa de Gaza. Estávamos em 50%. Passamos para 60%”, disse ele.
“Minha diretriz é avançar — passo a passo — para começar por 70%. Vamos começar por aí.” Enquanto Netanyahu falava, a plateia clamava para que ele anexasse todo o território de Gaza.
No final de abril, as IDF (Forças de Defesa de Israel) divulgaram mapas para grupos de ajuda internacional que mostravam que os militares já controlavam aproximadamente 64% de Gaza.
A anexação de mais territórios da Faixa de Gaza forçaria aproximadamente 2 milhões de palestinos a se concentrarem em uma fração cada vez menor do território já devastado do enclave costeiro.
Nos termos de um acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o Hamas em outubro de 2025, as forças israelenses se retiraram para uma linha de demarcação conhecida como “linha amarela”, que as deixou em aproximadamente 53% de Gaza.
Na terça-feira (26), o Hamas acusou Israel de mudar a linha, afirmando que isso “constitui uma sabotagem explícita e contínua do acordo de cessar-fogo, uma grave violação de suas disposições e uma tentativa flagrante de impor novos fatos no terreno pela força, com o objetivo de consolidar o controle militar sobre a Faixa de Gaza e minar qualquer chance real de estabilizar a situação ou de fazer com que os esforços de desescalada sejam bem-sucedidos”.
Tanto Israel quanto o Hamas deveriam estar cumprindo os termos do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA, que entrou em vigor em outubro. Mas o progresso do plano, promovido pelo presidente americano Donald Trump, está estagnado, o que pode levar a um cenário em que o território de Gaza fique permanentemente dividido.
Nickolay Mladenov, um diplomata búlgaro que atua como o funcionário encarregado da implementação do acordo, alertou no início deste mês que, sem progresso, a linha amarela poderia se transformar “em uma cerca ou muro, uma separação permanente de Gaza”.
Mladenov reconheceu uma realidade no terreno em Gaza, na qual “civis ainda estão sendo mortos” e “famílias vivem com medo” dos ataques aéreos israelenses.
Desde o cessar-fogo, Israel tem realizado repetidos ataques em Gaza, acusando o Hamas de violá-lo ao rearmar e reconstruir suas forças. Esses ataques mataram mais de 850 pessoas em Gaza desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde Pública palestino.
No início deste mês, Israel assassinou Izz al-Din al-Haddad, líder da ala militar do Hamas. Onze dias depois, Israel assassinou seu sucessor em um ataque subsequente.
“Prometemos eliminar todos os responsáveis pelo massacre de 7 de outubro, e é isso que faremos: todos estão condenados à morte em todos os lugares”, disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, nesta quinta-feira (28), nas redes sociais.
O Hamas também se recusou a desarmar ou desativar seu arsenal, disse Mladenov, um elemento fundamental do plano de cessar-fogo do qual depende grande parte do futuro de Gaza.
As forças israelenses devem se retirar gradualmente do território ocupado em Gaza depois que o Hamas desarmar e uma força de segurança internacional garantir a segurança de partes do enclave.
Embora alguns países tenham demonstrado disposição para contribuir com a força de segurança, não há um cronograma definido para seu destacamento. E, na ausência de progresso no acordo de cessar-fogo, Israel gradualmente tem ocupado mais território em Gaza, consolidando seu domínio sobre o território devastado.

