O jornalista Jefferson Coronel foi preso neste domingo (8), em São Paulo, em um desdobramento da investigação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) sobre a divulgação e a manipulação de imagens envolvendo a filha adolescente do governador eleito do Amazonas, Omar Aziz (PSD). Coronel foi coordenador da campanha eleitoral da candidata derrotada ao governo, Professora Maria do Carmo (PL).
A prisão foi realizada com apoio de agentes da Polícia Civil de São Paulo, após a Justiça do Amazonas expedir um mandado contra o jornalista. Inicialmente, ele permanecerá custodiado na capital paulista. Ainda não há previsão para a transferência dele para Manaus.
A investigação teve início após Omar Aziz denunciar que imagens da filha dele, ainda criança, teriam sido utilizadas nas redes sociais durante a campanha eleitoral, em publicações que o associavam a acusações de pedofilia. Na ocasião, o então candidato criticou a exposição da adolescente e afirmou que acionaria a Justiça contra os responsáveis.
No dia 29 de outubro, um endereço ligado a Jefferson Coronel, em Manaus, foi alvo de uma operação da Polícia Civil. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, os investigadores recolheram dispositivos eletrônicos.
Segundo informações obtidas pela Rede Amazônica, a polícia identificou, em um tablet pertencente ao jornalista, imagens de abuso sexual infantojuvenil. Diante da descoberta, a Polícia Civil constatou indícios de violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e determinou a abertura de um segundo inquérito, específico para apurar o conteúdo encontrado no aparelho.
A reportagem tenta localizar a defesa de Jefferson Coronel. O espaço permanece aberto para manifestação.
Operação apreendeu celular e computador de Maria do Carmo
Três dias antes da prisão de Jefferson Coronel, na sexta-feira (6), a Polícia Civil do Amazonas apreendeu o celular e o computador pessoal de Professora Maria do Carmo durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência dela, no bairro Vieiralves, zona Centro-Sul de Manaus.
A operação ocorreu após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) revogar uma liminar que suspendia temporariamente a ordem judicial. A defesa da ex-candidata criticou a diligência, denunciou perseguição política e apontou possíveis abusos de autoridade. Os advogados também alegaram que garantias legais e prerrogativas da advocacia não teriam sido respeitadas.
Maria do Carmo não estava no imóvel quando os policiais chegaram. Ela compareceu à residência por volta das 6h18, quando os trabalhos já haviam começado.
O delegado Marcelo Martins, que assumiu a condução do inquérito por determinação da Delegacia Geral da Polícia Civil, afirmou que houve resistência durante o cumprimento da ordem, mas que os agentes conseguiram apreender os equipamentos.
Segundo o delegado, os dispositivos passarão por extração e análise de dados para verificar uma possível participação da ex-candidata no crime investigado.
Entenda a investigação
O caso ganhou repercussão em 25 de outubro, quando Omar Aziz falou sobre o assunto no primeiro discurso após a confirmação de sua vitória no segundo turno das eleições para o governo do Amazonas.
Na ocasião, o governador eleito acusou integrantes da campanha de Professora Maria do Carmo de utilizar imagens da filha dele, ainda criança, em publicações nas redes sociais que o associavam a acusações de pedofilia. Omar afirmou que a exposição da adolescente configurava uma violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente e prometeu recorrer à Justiça.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a divulgação e a possível manipulação das imagens, além de investigar eventuais crimes previstos no ECA.
Durante o andamento das investigações, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão. Em 29 de outubro, Maria do Carmo compareceu espontaneamente à delegacia e se colocou à disposição dos investigadores, conforme informou sua defesa.
No dia seguinte, uma liminar suspendeu temporariamente a realização da busca e apreensão na residência da ex-candidata. Os advogados argumentaram que ela havia manifestado disposição para entregar os aparelhos eletrônicos.
Na terça-feira (3), entretanto, o desembargador Paulo Feitoza revogou a liminar e restabeleceu a autorização para o cumprimento da diligência. A decisão considerou a necessidade de preservar possíveis provas digitais que poderiam ser apagadas ou modificadas.
A investigação sobre as imagens envolvendo a filha de Omar Aziz é conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

