O clima no Itamaraty é de indignação com a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.
Depois de o governo americano afirmar que deu ao Brasil “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”.
A frase é uma referência às regras que regem as relações diplomáticas entre os países.
A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, estabelece normas para o tratamento de diplomatas e das relações entre Estados. Na visão das fontes diplomáticas, revogar o visto da embaixadora é uma medida que foge ao tratamento tradicional.
Em vez de seguir os mecanismos previstos pela convenção, como declarar a diplomata persona non grata, se fosse o caso, os EUA teriam adotado uma medida inédita ou pouco usual.
Há uma percepção dentro da diplomacia brasileira de que o governo de Donald Trump alterou a ordem dos fatores ao anunciar a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil antes que houvesse uma confirmação por parte da diplomacia brasileira sobre conceder o agrément.
Segundo um dos diplomatas, normalmente as diplomacias concordam com o agrément antes que a decisão seja anunciada. No caso do governo americano, a divulgação e a sabatina aconteceram antes que houvesse um aval por parte do Itamaraty.
Daniel Perez, deputado estadual da Flórida e aliado do secretário de Estado Marco Rubio, foi indicado pelo presidente Donald Trump em 1º de junho para o cargo de embaixador no Brasil, mas sua nomeação ainda não foi aprovada pelo Itamaraty.
Por isso, diplomatas consideram contraditório o Departamento de Estado afirmar que deu ao Brasil “todas as oportunidades para fazer a coisa certa” quando os próprios EUA teriam ignorado os princípios da Convenção de Viena.

