A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) abre, no dia 21 de setembro de 2026, às 20h, a Série Amazônia, com um concerto gratuito no Teatro Amazonas, em Manaus. A apresentação reúne uma obra clássica do repertório internacional e duas composições inéditas de autores brasileiros, em um programa que busca aproximar a música de concerto das tradições e da diversidade cultural da região.
Entre as novidades estão o poema sinfônico Panapaná, de André Mehmari, e a Suite Danças Amazônicas, de Lipe Portinho. As duas obras foram encomendadas especialmente pela OSA e terão suas estreias mundiais durante a apresentação.
Idealizador e maestro da orquestra, Rubens Cláudio explica que a série foi criada a partir da ideia de apresentar a diversidade amazônica também por meio da música.
“A Amazônia é um ecossistema, com sua fauna e sua flora, e então a gente tem tudo, a diversidade de todas essas coisas, de animais, de plantas. E não é diferente artisticamente. Nós temos um ecossistema sonoro, rítmico aqui. E é justamente isso que a orquestra vai fazer”, afirma.
Ao longo da temporada, serão realizados quatro concertos, todos com estreias mundiais de compositores brasileiros. A proposta é construir um repertório inspirado nos ritmos, nas canções e nas manifestações culturais da Amazônia.
“São quatro concertos e, em todos os concertos, nós estamos fazendo estreias mundiais de obras de compositores brasileiros, tendo como foco a Amazônia, os ritmos, as canções e as músicas daqui da região”, explica o maestro.
Concerto faz diálogo entre tradição europeia e cultura amazônica
A apresentação de abertura começa com Peer Gynt, Suíte nº 1, do compositor norueguês Edvard Grieg. A obra foi originalmente criada como música incidental para a peça teatral Peer Gynt, de Henrik Ibsen, e reúne elementos do folclore da Noruega.
Segundo Nikolay Sapoundjiev, diretor executivo da OSA e curador da Série Amazônia, a escolha da composição estabelece uma relação com as obras brasileiras que serão apresentadas posteriormente.
“É uma obra clássica, considerada hoje em dia, mas ela é toda baseada em folclore, obviamente norueguês. Então, é uma música muito narrativa sobre os temas tratados dentro de cada movimento pelo Grieg”, explica.
A partir dessa referência, o concerto propõe uma aproximação entre a maneira como Grieg incorporou elementos da cultura norueguesa à música de concerto e a utilização de ritmos e manifestações amazônicas nas duas obras inéditas da série.
Obras inéditas destacam ritmos da Amazônia
A Suite Danças Amazônicas, de Lipe Portinho, foi construída a partir de referências de diferentes manifestações musicais da região. A composição reúne ritmos amazônicos em uma abordagem sinfônica.
“O compositor se inspirou nos principais ritmos de danças do norte do Brasil, começando com o baque acreano, passando pelo carimbó, terminando com o boi, numa roupagem sinfônica”, detalha Nikolay Sapoundjiev.
Já Panapaná, de André Mehmari, é um poema sinfônico inspirado no fenômeno natural que ocorre na Amazônia durante a migração de grandes grupos de borboletas.
Para Rubens Cláudio, a participação de Mehmari representa um dos destaques do concerto de abertura.
“No concerto do dia 21, especificamente, nós temos um poema sinfônico cujo nome é Panapaná, um fenômeno muito bonito das borboletas na floresta amazônica, escrito por um dos melhores compositores brasileiros, André Mehmari. Vai ser uma honra muito grande executar uma peça que ele escreveu especialmente para a orquestra”, afirma.
As duas composições foram escritas especialmente para a OSA e incorporam referências à paisagem, aos ritmos e à identidade musical da Amazônia.
Compositores
Edvard Grieg (1843–1907) foi compositor e pianista norueguês do período Romântico. Considerado uma das principais figuras da música de seu país, incorporou elementos do folclore, das melodias e dos ritmos tradicionais da Noruega à música de concerto. Entre suas obras mais conhecidas estão o Concerto para Piano em Lá Menor e a suíte Peer Gynt.
Lipe Portinho, nome artístico de Felipe Clark Portinho, é compositor, contrabaixista, arranjador, professor e cineasta brasileiro. Doutor e pós-doutor em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atua nas áreas de criação, pesquisa e formação musical. Em 2021, ficou entre os cinco finalistas da categoria de composição clássica do Marvin Hamlisch International Music Awards, em Nova York.
André Mehmari é pianista, compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro, nascido em Niterói (RJ), em 22 de abril de 1977. Sua produção transita por diferentes linguagens, incluindo música de concerto, jazz, choro e MPB.
Patrocínio e apoio cultural
A temporada 2026 da Orquestra Sinfônica da Amazônia conta com patrocínio Amazônia/Master da Manaus Airport, patrocínio Rio Solimões da Bemol e patrocínio Rio Negro da Samel.
A iniciativa também recebe apoio cultural do Sistema Encontro das Águas, Fundação Rede Amazônica, CAUA, Museu da Amazônia (MUSA) e Hotel dos Frades.
A realização da Série Amazônia é uma ação conjunta da Orquestra Sinfônica da Amazônia com a Associação Amazônia de Produção, Organização e Incentivos Artísticos (Apoiar AM).
Serviço
Série Amazônia Concerto de abertura
- Local: Teatro Amazonas
- Data: 21 de setembro de 2026
- Horário: 20h
- Entrada: gratuita
- Realização: Orquestra Sinfônica da Amazônia

