Um voo com destino a Israel vindo dos Emirados Árabes Unidos foi desviado para a Arábia Saudita depois de emitir sinais de emergência por causa de briga entre os pilotos nesta quarta-feira (30).
Segundo relatos de passageiros à imprensa local, o copiloto esfaqueou o superior na cabine, mas foi imobilizado por um passageiro israelense.
O avião chegou a despencar mais de 4,2 mil metros de altitude em 30 segundos.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto que atacou o comandante de um voo da Flydubai foi preso e será interrogado pelas autoridades sauditas.
“Aparentemente, ele tentou derrubar o avião com seus ocupantes”, afirmou em uma mensagem em vídeo.
O suspeito seria o copiloto da aeronave e, segundo autoridades israelenses, é cidadão de Omã. Um passageiro teria ajudado a imobilizá-lo após o ataque, enquanto outros integrantes da tripulação conseguiram assumir o controle e estabilizar o avião.
Veja o que se sabe até agora.
O que aconteceu no voo
O voo FZ1073, da Flydubai, saiu de Dubai com cerca de 150 passageiros com destino a Tel Aviv, em Israel. Durante o trajeto, houve uma briga entre os pilotos e a aeronave enviou sinais de emergência.
O avião desviou a rota e pousou no Aeroporto Internacional Príncipe Sultan bin Abdulaziz, em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita.
Segundo o site de monitoramento de voos Flightradar24, a aeronave transmitiu primeiro um sinal geral de emergência e, alguns minutos depois, outro alerta que indicava uma possível interferência ilícita.
Os dados da aeronave indicam que ela desceu de forma repentina e rápida, perdendo quase 14 mil pés de altitude (4,2 mil quilômetros) em menos de 30 segundos antes do primeiro sinal de emergência, segundo o Flightradar24.

“Sangue por toda parte” na cabine
Autoridades israelenses suspeitam que o incidente possa ter sido uma tentativa de ataque terrorista.
Segundo um funcionário israelense, informações reunidas pelas autoridades indicam que o copiloto tentou esfaquear o piloto e foi contido com a ajuda de um passageiro.
Relatos de passageiros também mencionaram gritos, sangue e momentos em que a aeronave teria ficado fora de controle.
Uma testemunha identificada como Miriam disse ao canal israelense i24 que um dos pilotos estava ferido e recebia primeiros socorros, mas não estava claro quem o havia esfaqueado.
“Nós apenas ouvimos gritos. Então a porta da cabine se abriu e vimos uma enorme quantidade de sangue”, disse a passageira. “Houve momentos em que todos nós aqui tínhamos certeza de que não sairíamos vivos.”
O piloto e o copiloto ficaram feridos e foram levados a um hospital após o pouso, segundo a principal operadora de aviação da Arábia Saudita.
Os passageiros foram atendidos no terminal do aeroporto.
Quem era o copiloto
Dois funcionários israelenses disseram à imprensa que o copiloto responsável pelo ataque era de Omã.
Omã e Israel não mantêm relações diplomáticas formais. Ainda não está claro como o piloto omanense obteve autorização para voar para Israel.
Também há suspeitas de que ele estivesse tentando sequestrar o avião após esfaquear o capitão, mas ainda não está claro se a intenção seria derrubar o avião ou pousá-lo e fazer reféns.
Por que o avião foi parar na Arábia Saudita
O voo transmitiu primeiro um sinal geral de emergência e, minutos depois, outro que indicava uma possível interferência ilegal, segundo dados do Flightradar24.
O avião pousou em Tabuk, em um episódio incomum porque a Arábia Saudita não mantém relações diplomáticas oficiais com Israel.
Há poucos anos, as companhias aéreas israelenses e os voos com destino a Israel estavam proibidos de entrar no espaço aéreo saudita.
Essa situação mudou em 2022, quando Riad permitiu unilateralmente que voos israelenses utilizassem seu espaço aéreo, como parte de uma iniciativa do governo dos Estados Unidos para normalizar as relações entre os países.

O que aconteceu com os passageiros
Todos os passageiros foram contabilizados e estavam em segurança após o pouso.
Imagens do voo publicadas nas redes sociais mostram os passageiros comemorando o pouso da aeronave na Arábia Saudita.
O governo israelense afirmou que estava tomando medidas para levar os passageiros de volta a Israel, inclusive com envio de aeronave militar ou civil para repatriá-los.

