MANAUS (AM) – A união entre cultura urbana, saberes tradicionais amazônicos e preservação ambiental marcou os três dias do Festival Saci-Pererê, realizado no bairro Colônia Santo Antônio. A programação gratuita reuniu moradores, artistas e 15 voluntários em atividades abertas que atenderam mais de 50 crianças e jovens por dia em oficinas de grafite, artes visuais, bioinstrumentos, capoeira, poesia falada, música e brincadeiras tradicionais populares.




Como parte prática da educação ambiental, a organização realizou a distribuição de 100 mudas nativas para cultivo em quintais e calçadas da comunidade, reforçando o conceito de reflorestamento cultural que dá nome ao festival. A mobilização também gerou um abaixo-assinado popular organizado por moradores e comerciantes da região, que reivindicam junto aos órgãos públicos a limpeza e a retirada de entulhos do Igarapé do Saci, conhecido como Igarapé dos Franceses.

A atividade que mais mobilizou a comunidade aconteceu no sábado com o cortejo cultural pelas ruas do bairro, conduzido pela percussão do grupo Maracatu Eco da Sapopema. No domingo, o encerramento reuniu os participantes em uma feijoada gratuita, seguida pela tradicional batalha de rima na Toca do Saci, que reuniu a juventude da periferia em torno do Hip-Hop.
“Ver o bairro reunido em torno da arte e do cuidado com a comunidade mostra a força da periferia quando existem oportunidades reais. O festival deixa como resultado a valorização da nossa história, o Saci como símbolo comunitário e mudas a crescer nas casas dos vizinhos. A mobilização em defesa do igarapé comprova que as ações culturais despertam a cidadania e ajudam a cuidar do lugar onde vivemos”, avaliou o presidente da Associação Coletivo Pererê e idealizador do evento, Yure Ferreira.
O Festival Saci-Pererê foi viabilizado através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Amazonas), via Fomento Cultural Multilinguagens Edital número 09/2025 da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, em conjunto com o Conselho Estadual de Cultura, o Sistema Nacional de Cultura e o Ministério da Cultura.
“Os recursos da Lei Aldir Blanc foram fundamentais para garantir a gratuitidade de todas as oficinas e o pagamento justo dos artistas e formadores locais. Este fomento cumpre o papel de dinamizar a economia criativa e descentralizar o acesso aos bens culturais, levando estrutura de qualidade para as ruas dos bairros”, destacou o produtor do festival, Roberto Fernandes.
Sobre a Associação Coletivo Pererê
É uma instituição sem fins lucrativos atuante no bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte de Manaus. A associação desenvolve projetos continuados de arte, educação popular e meio ambiente voltados a crianças e jovens, com foco no fortalecimento comunitário e na garantia de direitos na periferia.
FOTOS: Henrique Saunier/ Coletivo Pererê

