A produção industrial brasileira teve alta de 0,2% em julho na comparação com o mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (2).
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção recuou 0,5%.
Mas os resultados ficaram aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de crescimento de 0,6% no mês e de estagnação na base anual.
“Não é uma mudança de trajetória, mas para cair. Voltar a subir é algo positivo, mas não se recupera das perdas dos dois meses anteriores”, disse o gerente de pesquisa do IBGE, André Macedo.
“Os indicadores mais amplos mostram essa perda de intensidade e dinamismo da indústria brasileira nos últimos meses, apesar do crescimento na margem”.
A indústria iniciou o ano com resultados positivos, mas passou a perder força na metade do segundo trimestre pressionada por produtos derivados do petróleo.
A política monetária restritiva, com a taxa Selic atualmente em 14,0%, deve continuar pesando sobre o setor.
No segundo trimestre a indústria desacelerou o ritmo de alta para 0,1%, de 1,2% no período anterior, de acordo com os dados do PIB divulgados na terça-feira (1º).
“O que tem travado a indústria é a política monetária restritiva, mesmo com a redução modesta dos juros. Isso traz impacto sobre a economia e o setor produtivo, causa adiamento de investimentos, de ampliação do parque produtivo e as famílias também adiam o seu consumo, e ainda afeta o endividamento das famílias”, completou Macedo.
Em julho, as influências positivas de maior destaque para a produção industrial foram dadas por equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,2%), produtos alimentícios (1,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1%), com as três categorias interrompidas dois meses consecutivos de queda na produção .
Na outra ponta, a produção das indústrias extrativas, com queda de 1% em junho, exerceu o principal impacto negativo no mês ao marcar a terceira taxa negativa consecutiva, com destaque para a produção de minérios, segundo o IBGE.
Também se destacam resultados de impressão e produção de gravação (-17,2%), produtos diversos (-9,0%), metalurgia (-1,4%), produtos químicos (-0,8%) e celulose, papel e produtos de papel (-1,3%).
Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo contidos (3,2%), bens de capital (2,4%) e bens de consumo semi e não retidos (0,5%) obtiveram ganhos, enquanto o segmento de bens intermediários (-0,2%) assinalou o único resultado negativo em julho.
“O cenário da produção industrial segue delicado, a despeito da alta observada em julho, com os últimos resultados apontando uma inflexão negativa”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter.
“Com um ambiente adverso, as metas afetadas pelas elevadas taxas de juros, esperamos que a produção industrial em particular, e a atividade em geral, siga moderando seu crescimento no restante do ano.”

