O Departamento de Estado dos EUA vai analisar as contas de redes sociais de jornalistas estrangeiros que solicitam vistos para trabalhar nos Estados Unidos, segundo uma reportagem publicada na quinta-feira (6).
A reportagem do veículo conservador The Daily Signal citou um memorando interno que afirma que uma iniciativa do governo do presidente Donald Trump, que exige que candidatos a vários tipos de visto tornem suas contas de redes sociais públicas para análise, está sendo ampliada para incluir representantes da imprensa estrangeira.
Segundo o relatório, candidatos a outro tipo de visto destinado a trabalhadores do Canadá e do México também passarão a ser incluídos na triagem.
A Casa Branca e as contas oficiais do Departamento de Estado na rede X compartilharam um link para a reportagem, mas o Departamento de Estado se recusou a confirmar os detalhes, citando uma política de não comentar sobre “supostos documentos internos”.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o que o órgão chama de “análise de presença online” é usado para garantir que os solicitantes sejam elegíveis para obter um visto de acordo com a legislação americana.
“O Departamento de Estado está realizando a triagem e a verificação, na maior extensão possível, de todos os estrangeiros que buscam admissão nos Estados Unidos, para garantir que respeitem as leis americanas, incluindo as condições de sua entrada, e que não representem uma ameaça à segurança dos EUA, à segurança pública ou aos interesses nacionais”, disse o porta-voz.
O representante acrescentou que “os agentes utilizam diversos métodos para tomar decisões informadas que protejam a segurança nacional, previnam fraudes e garantam uma análise completa dos candidatos”.
Não ficou claro quando a nova política, segundo o relatório, entraria em vigor.
No mês passado, o DHS (Departamento de Segurança Interna dos EUA) endureceu as regras sobre o período que jornalistas estrangeiros trabalhando nos Estados Unidos, assim como outros portadores de visto, incluindo estudantes estrangeiros, podem permanecer no país.
A medida também dá continuidade a uma série de ações adotadas pelo governo Trump desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, para tornar manifestações online um fator considerado em decisões de imigração e concessão de vistos. Essas medidas levantaram preocupações entre defensores das liberdades civis sobre a liberdade de expressão.
O USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA) informou que analisará publicações em redes sociais de imigrantes e solicitantes de visto, incluindo conteúdos que o governo considera antissemitas e de “antiamericanismo”.
O governo também cancelou vistos de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos envolvidos em ativismo pró-Palestina e, em alguns casos, tentou deportar esses estudantes.
O Departamento de Estado afirmou em outubro de 2025 que revogou os vistos de seis estrangeiros por comentários relacionados ao assassinato do ativista conservador Charlie Kirk e disse que continuaria identificando portadores de visto que, segundo o órgão, tivessem celebrado o crime.

