O Amazonas tem a maior remuneração bruta média da Polícia Civil entre os estados brasileiros, com R$ 26.824,02. Os dados constam na 2ª edição do estudo Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), nesta terça-feira (4).
O valor considera delegados, escrivães e investigadores e está acima da média nacional, de R$ 15.512,52. O Amazonas aparece à frente do Mato Grosso, com média de R$ 20.476,79, e do Pará, com R$ 20.268,52.
Apesar da liderança nos valores pagos aos policiais, o levantamento aponta desafios como déficit de servidores, baixa participação de mulheres na corporação e dificuldades para atender um estado com grande extensão territorial.
Os dados são referentes a 2025 e foram elaborados com base em informações dos Portais da Transparência dos estados e do Distrito Federal, além de dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O estudo considera a remuneração total recebida pelos servidores no mês de referência, e não apenas o vencimento-base.
Por cargo, os delegados da Polícia Civil do Amazonas têm remuneração bruta média de R$ 39.826,59 e remuneração líquida média de R$ 28.291,23. A carreira tem a segunda maior média do país, atrás apenas do Ceará, com R$ 41.200,96. A média nacional para delegados é de R$ 30.890,05.
Entre os escrivães, o Amazonas lidera o ranking nacional, com remuneração bruta média de R$ 24.875,71 e líquida de R$ 17.634,34. O valor está acima da média brasileira para a carreira, de R$ 12.918,66.
Já os investigadores recebem remuneração bruta média de R$ 25.487,70 e líquida de R$ 18.113,59. O valor também coloca o Amazonas na liderança nacional entre os estados. A média brasileira para a carreira é de R$ 13.695,65.
Déficit de servidores
Apesar da remuneração acima da média nacional, a Polícia Civil do Amazonas enfrenta déficit no quadro de servidores.
Segundo o estudo, a corporação tem 1.891 policiais civis na ativa, enquanto a legislação estadual prevê 3.155 vagas. O número representa cerca de 59,9% do efetivo previsto, deixando mais de 40% das vagas sem preenchimento.
O levantamento aponta que o déficit de servidores pode provocar sobrecarga nas equipes, acúmulo de inquéritos e dificuldades para a investigação de crimes.
Extensão territorial amplia desafio
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O estudo também destaca que a dimensão territorial do Amazonas impõe desafios adicionais para a atuação da Polícia Civil.
A proporção de policiais civis por habitante no estado é de 0,4 agente para cada mil habitantes, próxima da média nacional, de 0,5. No entanto, quando considerada a extensão territorial, o cenário muda.
Cada policial civil em atividade no Amazonas é responsável, em média, por uma área de 824 km², quase dez vezes superior à média nacional, de 82 km² por agente.
A distância entre os municípios e as dificuldades de deslocamento, principalmente para localidades acessíveis apenas por rios, impactam o atendimento e o trabalho das equipes no interior.
Mulheres são minoria na corporação
Outro ponto destacado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública é a participação feminina na Polícia Civil.
No Amazonas, as mulheres representam 23,1% do efetivo da corporação, percentual abaixo da média nacional, de 28,4%.
O dado indica que a presença feminina na instituição ainda está abaixo da registrada em outros estados brasileiros.

